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O governador Jaime Lerner tem dito insistentemente que o rompimento PFL e PSDB no plano nacional não vai interferir no processo sucessório do Paraná. Filiado no PFL, mas aliado de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Lerner continua apostando as fichas na dobradinha entre os partidos no Estado, tendo o PSDB do vice-prefeito de Curitiba, Beto Richa, como o cabeça de chapa.
INCÓGNITA - O governador, entretanto, não revelou ainda a fórmula que encontrou para agradar gregos e troianos. Tarefa nada fácil, principalmente porque o deputado federal Rafael Greca, oficialmente seu aliado, está jogando junto com a governadora do Maranhão, Roseana Sarney, para firmar-se como o candidato do PFL ao governo do Estado.
MEMÓRIA - Escaldado, Lerner viveu constrangimento semelhante na eleição de 1994, quando Fernando Henrique concorreu pela primeira vez à presidência da República. Lerner era candidato ao governo pelo PDT, partido que tinha o ex-governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola como o candidato à presidência.
CONTRAMÃO - Mesmo assim, Lerner fez campanha escancarada para Fernando Henrique. A vingança de Leonel Brizola veio somente dois anos depois, quando Lerner se viu forçado a deixar o PDT sob o risco de ser enquadrado no Código de Ética do PDT, por infidelidade partidária. O governador quis sintonizar o seu discurso com a sua postura ao tentar entrar, sem êxito, no PSDB no mesmo ano.
POUCO À VONTADE - A opinião destoante de Lerner, evidenciada com a reunião da cúpula pefelista em apoio à Roseana Sarney, na semana, não surpreende. Desde que se filiou no PFL, no final de 1997, Lerner sempre deixou transparecer um certo desconforto em estar filiado no partido de extrema direita. O governador do Paraná sempre teve o cuidado de passar uma imagem de político alinhado mais à esquerda.
SEM SAÍDA - Ao ter sido impedido de filiar-se no PSDB, numa articulação comandada pelo senador Alvaro Dias (PDT), quando o mesmo ainda estava no ninho, Lerner não viu outra saída senão ingressar no PFL. Quando assinou ficha, inclusive avisou que estava disposto a imprimir um caráter mais social à sigla, o que acabou não se revelando na proporção que pretendia.
REVANCHE - Ao defender a manutenção da base aliada de Fernando Henrique, o governador, de forma direta ou indireta, acabou criando aresta com Roseana Sarney, a candidata à sucessão. A mesma Roseana que concentrou todas as atenções do PFL, em detrimento do sonho de Lerner de também ser candidato a presidente.
CAMINHO - Uma solução para o conflito seria o governador sair do PFL e ficar durante a campanha eleitoral sem partido político. Até encontrar condições para se filiar no PSDB ou em outra sigla em que se sinta mais à vontade.
PERGUNTINHA - Quem vai retaliar mais: o PFL, pelo não apoio ao rompimento, ou o PSDB, pela posição dúbia?
Leandro Donatti e sucursais
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