Vera Freire
Agência Estado
De São Paulo
Um informante que usa o codinome de ‘‘Antonio de Jesus’’ é a testemunha-bomba da CPI do Narcotráfico na Câmara dos Deputados em São Paulo, que chegou ontem à capital. Ele vai denunciar um juiz paulista, da área criminal, que teria recebido dinheiro de um traficante condenado há dez anos, mas que conseguiu a liberdade cumprindo apenas seis meses de prisão. ‘‘É um juiz que atua num setor chave da polícia’’, afirmou o sub-relator da comissão, deputado Celso Russomanno (PPB-SP). A CPI fica em São Paulo até na sexta-feira. Devem ser ouvidas 50 pessoas, das quais 25 são policiais.
A CPI poderá lidar, em São Paulo, com o caso Deegan. O misterioso empresário brasileiro James Jamil Deegan, naturalizado americano, de 65 anos, é procurado pela Justiça americana desde o dia 30 de março, acusado de lavagem de dinheiro do narcotráfico. Jamil é seu nome brasileiro. James é o nome que adotou depois que adquiriu a cidadania americana. Ele é réu no processo 99-8150 da Corte do Distrito Sul da Flórida - o mesmo que envolve Oscar de Barros e José Maria Teixeira Ferraz, empresários brasileiros radicados na Flórida, presos em Miami pelo FBI, na sexta-feira da semana passada, sob acusação de terem lavado US$ 500 mil provenientes do tráfico de drogas.
Jamil está ligado aos escândalos do TRT paulista e do dossiê das Ilhas Cayman, de 1998, uma coleção de papéis de origem duvidosa que sugeria a existência – nunca comprovada – de contas secretas no exterior do presidente Fernando Henrique Cardoso, do governador Mário Covas, do ministro da Saúde José Serra e de Sérgio Motta, ex-ministro das Comunicações. Jamil não compareceu a uma audidência da Justiça ontem, em Miami.

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