Informalidade registra crescimento no Plano
Marcelo Neri lembra que, na data de lançamento do Real, a pobreza estava num nível muito alto (média de 33,6% nos 12 meses anteriores ao Plano). Houve um crescimento bastante grande na renda dos trabalhadores sem carteira assinada ou por conta própria, segmento que é empregado nos setores de serviço e construção civil, beneficiados pela conjuntura estabelecida depois do Real. O mesmo não aconteceu com a indústria, atingida pela abertura da economia (que aumenta a competição com os produtos importados) e o controle da taxa de câmbio, a âncora cambial do Real.
O Plano Real aqueceu a demanda, explica Neri. Setores como o da indústria, que competem com produtos importados aqui, ficaram prejudicados. O Real beneficiou o serviço e prejudicou a indústria. Como o setor de serviço é empregador intensivo da mão-de-obra não qualificada, esses trabalhadores foram beneficiados.
Outro fator foi a grande recomposição do salário-mínimo logo depois do Real. Em maio de 1995, o aumento foi de 43%, o mínimo passou de R$ 70,00 para R$ 100,00; a inflação já estava estabilizada em 2% ao mês; os preços estáveis aumentaram o poder de compra do salário mínimo. Assim, a pobreza cai abruptamente: foi contemporâneo ao aumento do salário mínimo, conclui Neri.
Na preparação de sua tese, Cury desenvolveu na Califórnia um modelo de simulação computacional para testar políticas para combater a pobreza e melhorar a distribuição de renda. Do total de 13 políticas testadas em laboratório, as três que apresentaram a melhor performance foram a política fiscal de transferência direta de renda para famílias (que teria efeito em curto prazo); a política de qualificação da mão-de-obra (cujo efeito se dá em médio prazo) e uma estratégia de desenvolvimento e investimento, com ênfase na promoção das exportações e manutenção da abertura comercial (de longo prazo).





