Informalidade marca encontro com Aznar
Informalidade marca
encontro com Aznar
Agência Folha
Agência Estado
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IdéiasO primeiro-ministro espanhol José Maria Aznar cumprimenta o presidente FHC; depois, conversa informalDurante cerca de duas horas e meia em que permaneceram no Palácio de Moncloa, sede do governo espanhol, o presidente Fernando Henrique Cardoso e o primeiro-ministro José Maria Aznar limitaram-se a uma ampla e informal troca de idéias sobre privatizações, desemprego, Europa e política sul-americana.
O encontro foi montado de acordo com regras protocolares propositadamente leves. FHC e cinco acompanhantes - entre eles os ministros Lampreia e Malan-, Aznar e cinco ministros ou auxiliares não se sentaram numa mesa de negociações nem trouxeram pauta por escrito. Depois de 40 minutos, passaram à mesa de almoço já com suas mulheres, prosseguindo a conversa sem o compromisso de divulgarem um comunicado conjunto.
O presidente brasileiro e o chefe do governo espanhol demonstraram alívio pelo desfecho da crise paraguaia (eleições sem golpe de Estado). Também constataram a normalidade no desenrolar do processo eleitoral em outros países do continente. Aznar disse, por sua vez, que o euro, a moeda conjunta da União Européia que deve entrar contabilmente em vigor em janeiro, será um novo fator para a modernização da economia da Espanha, credenciando-a a uma competitividade maior no bloco europeu.
Os dois governantes trocaram idéias sobre o desemprego. Aznar disse que, em lugar das taxas registradas pela Espanha (de 12% a 20%, segundo índices discrepantes), prefere contabilizar os empregos criados, que foram 450 mil em seus dois anos de governo.
FHC também mencionou índices divergentes no Brasil, mas disse que a situação do mercado de trabalho tende a se estabilizar a longo prazo, quando começarem a procurar emprego jovens de uma geração mais recente, que serão menos numerosos porque já nascidos num período de menor taxa de natalidade.
Aznar disse que a queda da natalidade na Espanha poderá prejudicar o equilíbrio que seu governo logrou na Previdência Social: a tendência é de um número cada vez menor de ativos para um número maior de aposentados. FHC limitou-se a discorrer, sem entrar em maiores detalhes, sobre o esforço que o Executivo tem feito para aprovar no Congresso a reforma da Previdência.
Como último grande tema, ambos falaram sobre as privatizações, que têm sido efetuadas em processo acelerado nos dois países. Aznar notou haver grande interesse por parte das empresas espanholas em ampliar sua participação nas privatizações brasileiros.
Moncloa, onde o encontro se realizou, é um complexo administrativo que reúne as principais assessorias técnicas do governo. Não mais existem os prédios construídos no local pelo duque de Alba no final do século 18. A residência oficial de Aznar é um prédio dos anos 40, com tijolos aparentes e trepadeiras que lhe dão uma aparência de reitoria de universidade norte-americana.





