Informações sigilosas foram omitidas Arquivo FolhaBraga, que acusou o secretário: ação contestará depoimento O secretário da Segurança, Cândido Martins de Oliveira, admitiu ontem que omitiu informações sigilosas no seu depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga o crime organizado e o narcotráfico no País. De acordo com ele, existem informações secretas – de conhecimento de qualquer secretário de segurança – e que não podiam ser reveladas. ‘‘Eu disponho de informações que podem abalar a vida de determinadas pessoas. De informações sigilosas, que eu não posso revelar publicamente’’, justificou ele, ao tentar explicar os motivos que o levaram a pedir que seu depoimento na CPI fosse reservado. Como o depoimento foi público, as informações não foram repassadas para os deputados federais. Oliveira não quis citar se as informações sigilosas envolvem políticos ou policiais civis e militares. ‘‘Se são sigilosas eu não posso revelar’’, descartou. Apesar de garantir que nunca teve conhecimento dos nomes de delegados e policiais civis envolvidos no esquema do crime organizado e no narcotráfico no Paraná, Oliveira admitiu que existia dentro da cúpula da Polícia Civil um esquema organizado para evitar que as denúncias feitas fossem apuradas. ‘‘Falhamos nestas investigações, mas as falhas foram decorrentes do acobertamento de informações promovido por policiais civis com ligações evidentes com o narcotráfico’’, argumentou. De qualquer forma, Oliveira não disparou acusações contra o ex-delegado geral João Ricardo Képes Noronha. ‘‘Ele era tido como um policial operacional, dedicado, com o perfil de um bom investigador. Apenas fiquei decepcionado com o fato dele não ter comparecido à CPI’’, declarou o secretário, complementando que já determinou a busca de Noronha – e os demais policiais e delegados supostamente envolvidos no narcotráfico – em todo o Estado. Uma equipe, composta por três delegados de primeira classe (Paulo Ernesto Araújo Cunha, Alex Danevick e Luis Alberto Cartaxo de Moura) foi designada para procurá-los e efetuar a prisão de todos eles. Visivelmente abatido, Oliveira negou que tenha pensado em pedir a exoneração do cargo para o governador Jaime Lerner. ‘‘Eu nunca pensei em deixar o cargo. Mas o meu cargo está permanentemente à disposição do governador’’, afirmou. Em relação às denúncias do delegado Arthur Braga (ex-diretor geral da Polícia Civil) e do investigador Paulo Roberto Oliveira (de Cascavel), de que o secretário já sabia das denúncias contra policiais e delegados, Oliveira foi determinado. ‘‘Nunca soube de nada, nem me entregaram qualquer denúncia. Eu desafio a qualquer pessoa a provar qualquer envolvimento ou omissão minha com relação ao crime – seja ele qual for’’, afirmou. O secretário disse que irá acionar judicialmente os seus acusadores. (L.P.)