"Quem não obedecer, nós vamos deixar no limbo, excluir de tudo aqui"




"A Dilma que me aguarde"
Cotado para ocupar a Casa Civil ou outra secretaria de destaque no segundo mandato do governador do Paraná Beto Richa (PSDB), o presidente da Assembleia Legislativa (AL) do Estado, Valdir Rossoni (PSDB), garantiu ontem que estará em Brasília no ano que vem. Ele foi eleito deputado federal. "A Dilma (Rousseff, presidente) que me aguarde", brincou. Além de Rossoni, o coordenador geral da campanha de Beto, Eduardo Sciarra (PSD), é apontado como um dos homens fortes da próxima administração.

Sérgio Moro no STF?
Depois de o primeiro secretário da AL, Plauto Miró (DEM), indicar o juiz federal Sérgio Moro para receber o título de cidadão benemérito do Paraná, ontem foi a vez de o presidente da Casa propor uma homenagem ao magistrado. Em requerimento subscrito por diversos outros parlamentares, e aprovado em seguida pelo plenário, Rossoni requer à Mesa Executiva o envio de um ofício à presidente Dilma Rousseff (PT) sugerindo a nomeação de Moro no Supremo Tribunal Federal (STF).

Provocação
Natural de Maringá, no Norte do Estado, o magistrado é o responsável pelo processo da operação Lava Jato. "Acho que o Paraná está fazendo uma pequena provocação à presidente da República, que veio ontem (anteontem) aos meios de comunicação dizer que quer apurar tudo. Nós sabemos que quem encontrou o escândalo foi a Polícia Federal e é a Justiça que está investigando", alfinetou Rossoni.

"Cortina de fumaça"
O chefe do Legislativo, que é também presidente do PSDB do Paraná, rebateu as afirmações do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de que o advogado do doleiro Alberto Youssef, Antonio Figueiredo Basto, teria envolvimento com o partido no Estado. Basto foi membro do Conselho Administrativo da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), indicado pelo governador Beto Richa (PSDB), e, segundo Janot, seria responsável pelo vazamento seletivo de informações sobre o conteúdo da delação. "Isso é tudo uma cortina de fumaça para tentar esconder a grande vergonha que está acontecendo no País".

Concorrente
Apesar de ter cedido a cota do PT ao DEM para que Plauto concedesse o título a Moro, endossando a homenagem, o deputado Tadeu Veneri preferiu não assinar o requerimento, o qual considerou político. "Temos de ter um certo critério. O Sérgio Moro é um juiz bastante competente, tem conhecimento, mas em todas as vezes em que houve indicações aqui, eu me manifestei favorável ao professor (Luiz Edson) Fachin (que leciona Direito na UFPR). Eu sou um admirador do professor Fachin, é uma pessoa que tem dado uma contribuição histórica para a sociedade brasileira, e tenho certeza que ele iria enriquecer muito o Tribunal".

Disputa
Após participar de um jantar anteontem com o líder do governo, Ademar Traiano (PSDB), a bancada do PMDB na AL se reuniria ontem com o deputado estadual eleito Ratinho Jr. (PSC). Ambos disputam a sucessão de Valdir Rossoni na presidência da Casa. De acordo com o líder do PMDB, Nereu Moura, a ideia é que hoje, após ouvir as propostas dos dois concorrentes, os oito peemedebistas que estarão na AL em 2015 cheguem a um consenso e decidam quem irão apoiar.

Partido dividido
"O PMDB está dividido, mas vamos ao voto e, quem ganhar, leva o apoio de todos", afirmou. Ele prometeu agir com mãos firmes, para garantir a unidade partidária. "Quem não obedecer, nós vamos deixar no limbo, excluir de tudo aqui". Ainda conforme Nereu, Traiano teria oferecido à legenda o mesmo espaço que hoje dispõe na Mesa Executiva, isto é, a primeira vice-presidência, ocupada por Artagão Júnior.

Negociações
Ratinho, por sua vez, pretende fazer um entendimento político no que se refere a votações, já pensando nas disputas eleitorais de 2016 e 2018. Ele estaria disposto a oferecer à sigla a primeira secretaria. Além de Artagão, podem ocupar o posto os deputados Ademir Bier, Alexandre Curi e Luiz Claudio Romanelli. "Eu, particularmente, não tenho vontade, porque a Mesa inibe a atuação parlamentar", opinou. Quanto à liderança do governo, definida por indicação do Poder Executivo, Nereu defendeu que não seja ocupada por nenhum membro do partido. "Acho que o Romanelli (como tem sido especulado) ficaria desconfortável, porque nós seremos oposição".

Falecimento
Os vereadores de Londrina decidiram cancelar a sessão legislativa que ocorreria ontem por causa da morte da mãe do presidente da Câmara de Vereadores, Rony Alves (PTB). E, ao contrário de outras situações de falecimento, a sessão não foi adiada para o dia seguinte: o vice-presidente, Gustavo Richa (PHS), abriu os trabalhos, colocou em votação requerimento de vários vereadores pedindo o cancelamento da sessão e, menos de dois minutos depois, todos estavam dispensados. Tudo o que estava na pauta para ser discutido ontem ficou para quinta-feira. A mãe de Rony Alves, Orlanda Rodrigues Alves, 77 anos, faleceu na noite de segunda-feira, na Santa Casa de Londrina, onde estava internada desde quarta-feira da semana passada. Ela foi sepultada no Cemitério Jardim da Saudade.

Equipe da Folha com agências [email protected]
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