Casa de um quarto, sala, cozinha e acabamento simples. Preço do aluguel: R$ 850. O ‘‘classificado’’ acima parece absurdo, mas é realidade em Telêmaco Borba (128 km ao norte de Ponta Grossa). A inflação imobiliária é resultado do incremento de dez mil trabalhadores na cidade, e o fenômeno tende a se repetir com a instalação da Usina Hidrelétrica Mauá na região.
  Em entrevista à FOLHA, o prefeito da cidade, Eros Araújo, confirma a explosão no valor dos aluguéis e o aumento
nos bolsões de pobreza na cidade, mas garante que investimentos públicos e privados vão suprir o déficit habitacional no município.
  A cidade tem estrutura para receber este grande número de trabalhadores em decorrência da ampliação da Klabin e agora da construção da Usina Mauá?
  A questão da infra-estrutura é um desafio permanente. Estamos adequando as necessidades com as ofertas possíveis. Até o momento o município tem conseguido responder a contento as demandas. Com algum nível de tensão maior em um ou outro setor, mas sem inviabilizar respostas satisfatórias.
  Na questão da saúde, não há déficit de atendimento?
  Nós tivemos déficit de atendimento nos meses de outubro, novembro e dezembro do ano passado, porque houve médicos demissionários do quadro, e isso causou um problema que já foi resolvido.
  O município faz um controle de quantos trabalhadores estão chegando na cidade para atender as necessidades?
  Estamos vivenciando um processo de desaceleração do investimento do programa de expansão da Klabin. No entanto, já temos o anúncio de que esta semana deve ser assinada a ordem de serviço para construção da Usina Hidrelétrica Mauá, e queremos priorizar a mão-de-obra local. Quanto ao aumento de moradores, o último censo do IBGE nos indicou uma população de aproximadamente 65,7 mil pessoas. Mas contestamos estes números, porque há um fluxo muito grande na cidade.
  É possível conter a inflação imobiliária que houve na cidade, ou o senhor considera o aumento normal?
  Houve, de fato, um aumento considerável no valor dos aluguéis, e agora estamos vivenciando o desdobramento disso, com anúncio de investimentos imobiliários, tanto no segmento público quanto privado, que vão atenuar o estouro nos preços. Foi (um crescimento) muito rápido, uma demanda de dez mil pessoas, ou seja, 15% da nossa população.
  Isso acarretou uma série de invasões de áreas, construções irregulares. O que a prefeitura faz para coibir tal prática?
  As invasões foram especialmente em terrenos públicos, e tivemos algumas ações de reintegração de posse para recuperar essas áreas. Duas (dessas áreas invadidas) estavam destinadas a programas de habitação, o que colaborou no atraso desses programas.
  Houve um aumento nos bolsões de pobreza nesse período?
  Sem dúvida. Ainda estamos trabalhando para quantificar isso, mas há uma atração de pessoas das mais diversas regiões do País e do próprio estado do Paraná. Entendemos como natural. Se tem oferta de emprego, as pessoas vão naturalmente até o local. Se não atende a demanda, resulta em conseqüências como pobreza e violência.
  Agora, com a instalação da Usina Mauá, o ‘‘estouro’’ pode se repetir...
  É importante que não se crie expectativa com relação à oferta de empregos que possam atender demandas das mais diversas regiões. Teremos oferta, mas a tendência é que seja uma mão-de-obra mais especializada. Haverá todo um processo seletivo, e as empresas já têm os seus cadastros para escolher esses trabalhadores.

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