'Infiéis' provocam mal estar entre Câmara e STF
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Mariangela Gallucci<br>Agência Estado 
Brasília - Um mal estar se instalou entre a Câmara e o Supremo Tribunal Federal (STF) por causa da decisão tomada quarta-feira pela Corte determinando que os políticos infiéis aos partidos devem perder o mandato. O primeiro deputado cassado é Walter Brito Neto (PRB-PB), que era do DEM, mas mudou de partido em setembro do ano passado. Cobrado por parlamentares pela demora em declarar a perda de mandato do deputado Walter Brito Neto, Chinaglia disse que, às vezes, o Supremo também demora para tomar decisões.
''Decisão judicial é para ser cumprida'', afirmou o ministro do STF Marco Aurélio. Sobre a demora nos julgamentos do STF, o ministro disse: ''Nós enfrentamos uma carga de processos que é desumana. Creio que foi um arroubo de retórica do sempre dedicado e eficiente presidente da Câmara. Isso não é argumento para descumprir decisão judicial'', disse.
O presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, que também integra o STF, afirmou que não teve a intenção de interferir na independência da Câmara. ''Nada de ingerência. Os Poderes são independentes e harmônicos entre si. Eu velo pelos dois atributos - da independência e da harmonia. Não houve tentativa de interferência. Fui mal interpretado'', disse.
Ayres Britto também negou que exista uma crise entre os dois Poderes. ''Eu acho que isso se resolve naturalmente, na base do bom senso e do respeito à ordem jurídica'', afirmou. Ele disse que não imagina a possibilidade de a Câmara resistir a cumprir a decisão do STF.


