Curitiba - A decisão da última terça-feira do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que considerou que os mandatos parlamentares pertencem aos partidos e não aos candidatos eleitos, pode resultar em alterações na Assembléia Legislativa do Paraná. Os deputados Fábio Camargo e Geraldo Cartário, que trocaram de partidos após a eleição, poderiam até perder os mandatos, dependendo da interpretação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Caso o tribunal decida pela perda dos mandatos, a medida poderá ter reflexos na Assembléia paranaense. Eleito pelo PFL, Fábio Camargo transferiu-se para o PTB há dois meses. Apesar da posição do TSE, o deputado se disse tranquilo. ''O que for decidido, vou acatar. Decisão judicial não se discute, se cumpre'', afirmou. Mesmo assim, criticou o fato de a decisão do TSE poder resultar em perda de mandato. ''Não se pode mudar as regras no meio do jogo. A fidelidade partidária deve ser discutida no Congresso, na reforma política'', disse.
Camargo não descartou a hipótese de voltar ao PFL para manter seu mandato, caso haja decisão judiciária pela perda do cargo. Mas, para isso, pode encontrar resistência em seu antigo partido. O também deputado Durval Amaral, ex-vice presidente do PFL do Paraná, afirma que o assunto será discutido pela executiva estadual do partido. Na hipótese de Camargo perder o mandato, quem assumiria em seu lugar é Alisson Wandscheer, do PPS, partido que estava coligado com o PFL na última eleição
Outro partido que pode requisitar de volta o mandato de um dos deputados eleitos pelo partido é o PMDB. No início deste mês, Geraldo Cartário trocou a legenda pelo PSDB. ''Vamos consultar o TSE para ver se essa decisão vale retroativamente para poder recuperar o mandato do partido'', disse o deputado Alexandre Curi (PMDB). No caso de Cartário, quem poderia assumir em seu lugar é Jonas Guimarães. O PMDB pode também pedir os mandatos de quatro vereadores de Curitiba eleitos pelo partido em 2004 e que já trocaram de legendas.

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