Inércia institucional
Uma das formas mais comuns de morte da democracia é a inércia institucional. Se houve efetivamente o disparo em massa de fake news, não importa em favor de que candidato, a obrigação da autoridade não é ficar discutindo doutrina a respeito, mas a de agir e isso com a máxima presteza. Assim também o caso do militar da reserva que agrediu a presidente do TSE: o desforço incontinenti é a investigação e o processamento do caluniador. Aplica-se o mesmo conceito ao candidato do PT, Fernando Haddad, ao assimilar de forma leviana o informe, logo depois desmentido, de que o vice de Bolsonaro, Hamilton Mourão, teria sido torturador na ditadura.

O clima psicossocial do radicalismo em si não justifica qualquer tipo de ação temerária que deve ser cobrada na hora. O Judiciário reagiu depois de um momento de perplexidade e pasmo e ouviu do ministro da Segurança Raul Jugmann que se o poder desejasse colocaria a Polícia Federal a serviço das apurações.

É evidente que vivemos um momento de bravatas - como aquela estória de que bastariam um soldado e um cabo para fechar um tribunal, dispensando-se o jipe -, mas depois de um Trump, e isso na maior democracia do mundo, ficou difícil separar o normal do absurdo, como se vê agora na marcha de migrantes que não é detida pelo alarme do maior sistema bélico.

Instituições não têm prazo de validade como bula de remédio, e o exercício de suas funções é que garante a sua condição permanente no tempo e no espaço.

Urnas
Uma audiência pública na quarta-feira (24) no Tribunal Regional Eleitoral voltada para a análise dos níveis de segurança das urnas eletrônicas avaliou um por um dos casos que geraram reclamação, prova de que as situações anômalas não foram desprezadas. Ficou cabalmente demonstrado nas auditagens que os problemas pontuais, corrigíveis, não comprometem a eficiência e a lisura do sistema.

Papai Noel
Pinhais adotava o modelo de Papai Noel público, o velhinho estatal tinha lá o seu decálogo de comportamento e na licitação da firma terceirizada exigia-se que ele tivesse carisma, o que rendeu muita crítica e especialmente pelo alto custo do serviço. Exigências quanto ao velhinho eram tantas que no mínimo deveria passar por uma sessão de psicanálise. Essa burocracia toda acabou levando a prefeitura a revogar o Papai Noel e dispensar também as renas.

Autocrítica
A esquerda de um modo geral, embora induzida a fazer autocrítica, aparenta soberba e nega-se a adotá-la sistematicamente. No comício do Rio de Janeiro um dos artistas tentou fazê-la e foi obviamente mal recebido. O ambiente era de engajamento, com as presenças de Caetano Veloso e Chico Buarque, que discursaram, e projeção de vídeos com mensagens de Gilberto Gil, Sonia Braga, Wagner Moura e Marcelo Serrado, este apoiador do impeachment de Dilma Rousseff.

Recuo
O prefeito de Curitiba, Rafael Greca, recuou na ideia de alterar o funcionamento da UPA do Pinheirinho e o fez nesta quarta diante da comunidade reunida e de vereadores da Comissão de Saúde da Câmara Municipal. Isso depois de dois dias de intensas mobilizações da população, que seria obrigada a deslocar-se para as unidades existentes na Fazendinha ou na Cidade Industrial. Foi muito aplaudido e sugeriu que a unidade para doentes mentais será providenciada quando a burocracia o permitir. A UPA fecha agora e reabre em dezembro.

Na verdade o problema maior é o de custos e a evidência de que se constatavam 70 casos diários de portadores de doenças mentais levou o gerenciamento do sistema à ideia de fazer daquela UPA um centro especializado.

Gaeco em ação
O rumoroso caso dos cinco guardas rodoviários estaduais que pegavam propina de infratores, delatado em denúncia anônima, foi agora denunciado pelo Gaeco à justiça.

2% de alta
Segundo a Fecomércio, a despeito de alguns recuos tivemos até setembro um aumento de 2% relativamente ao ano anterior em vendas no varejo.

Imigrantes
Segundo o centro especializado em imigrantes tivemos o registro deles no Paraná, nos últimos dois anos, da ordem de 5 mil.

Folclore
Havia uma ordem de Adherbal Stresser, diretor do jornal, para que nada se publicasse na editoria de cultura sobre a polêmica em torno de dois professores que disputavam cadeira em História das Américas na Pontifícia Universidade Católica. O editor Temistocles Linhares defendia um professor paranaense e outros um espanhol, o primeiro da esquerda e outro da direita. Ao receber a notícia, o diagramador Benjamin Steiner disse que faria como Sócrates e lavaria as mãos. Corrigido de que Pilatos era o personagem, replicou: "E vai querer me dizer que Sócrates nunca lavou as mãos?"

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