Inepar mantém silêncio sobre escuta telefônica
O grupo Inepar adotou ontem a tática do silêncio em relação ao envolvimento do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, nas negociações que antecederam o leilão do Sistema Telebrás. A matéria divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo evidencia que a cúpula do governo federal queria impedir que o consórcio Telemar, do qual faz parte a Inepar, arrematasse a Tele Norte Leste. O presidente da empresa Atilano de Oms Sobrinho passou o dia na sede da Inepar, em Curitiba, mas preferiu não falar sobre o assunto, considerado delicado entre seus companheiros de diretoria pelas ligações do grupo com o governo federal em outros projetos.
Desde o leilão do Sistema Telebrás, a Inepar adotou a postura da discrição no assunto Telemar. A primeira polêmica surgiu durante a campanha eleitoral do ano passado, quando foram divulgadas fitas com conversas grampeadas entre o ex-ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, e o ex-presidente do BNDES, André Lara Resende. Esse é um assunto para o Carlos Jereisatti (do grupo La Fonte, que participou da compra da Tele Norte Leste), costumava dizer Oms, na época.
A Inepar participa da Telemar com 11% do controle acionário, ou seja, 9% a menos em relação ao dia do arremate. As outras empresas que compõem o consórcio são a Andrade Gutierrez, Fiago e Macal, também com 11% cada uma; fundos de pensão, com 19,9%; e duas seguradoras do Banco do Brasil (Aliança do Brasil e Brasil Veículos), com 10%.
Mesmo contra a vontade do presidente da República, que defendia a venda da Tele Norte Leste para o consórcio formado pelo Banco Opportunity, a Telemar arrematou o lote por R$ 3,43 bilhões. O ágio de 1% foi o menor em relação ao dos demais e esse detalhe desagradou o governo, que esperava um preço superior pelas companhias telefônicas que passaram para o controle da Telemar.
Na denúncia feita pela Folha de S.Paulo, o presidente do grupo Inepar é citado em três situações distintas. Ele aparece durante conversa telefônica entre o então ministro das Comunicações e a sua secretária Sílvia. Mendonça de Barros pede para que ela localize Oms. Depois, vê se o Atilano...., diz Mendonça, completando a frase após ser interrompido pela secretária: Tá? Então, manda ele me ligar aqui em São Paulo.
Em um segundo diálogo, desta vez com o ex-presidente do BNDES, André Lara Resende, Mendonça de Barros afirma já ter conversado com o presidente da Inepar. Ó, eu falei com o Atilano e tá todo mundo doce, cê entende? Agora, a resistência vem de onde? Do Banco do Brasil, diz o ex-ministro. A matéria lembra ainda que, dias após o leilão, Oms e o empresário Carlos Jereissati estiveram na presidência do BNDES para uma audiência com André Lara Resende.





