Indústrias podem ficar sem novas obras
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terça-feira, 10 de novembro de 1998
Carmem Murara 
O redirecionamento de recursos para obras sociais pode atingir a política de atração de indústrias para o Estado, que ficariam com a destinação de verbas para infra-estrutura, temporariamente, congelada. O governador Jaime Lerner (PFL) deixou claro ontem, durante o anúncio do pacote estadual, que a prioridade agora é para os pequenos empreendimentos industrias, que não dependam de pesados gastos com obras. Nos últimos quatros anos as grandes indústrias foram as beneficiadas.
A declaração do governador não compromete, no entanto, os investimentos em infra-estrutura que estão em andamento. Entre alguns exemplos estão trechos de estradas que dão acesso a fábricas que se instalam nos municípios ao redor de Curitiba, ou a instalação de redes de energia elétrica e água nas fábricas. Desde 1995, já foram investidos R$ 12 bilhões em infra-estrutura, valor que se agrega as obras feitas pela iniciativa privada no Anel de Integração, na Ferroeste e pela Copel.
A ordem do governo é para que os órgãos responsáveis, como a Secretaria de Obras ou a Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec) não façam mais financiamentos para iniciar novos projetos. A determinação anunciada foi encarada com tranquilidade pelos diretores responsáveis por essas pastas.
O diretor-presidente da Comec, Luis Hayakawa, disse que sabe que não poderá comprometer mais recursos com obras de infra-estrutura que não tenham cunho social. Ele não se mostrou assustado com as medidas de enxugamento nos gastos. O que tínhamos de fazer em infra-estrutura já fizemos nos primeiros anos de governo, e o que temos de obras é o suficiente para garantir que não perderemos investimentos industriais, afirmou.
O secretário da Indústria e Comércio, Eduardo Sciarra, também reforçou a afirmação de que a atração de empresas não está comprometida. O que deixamos de fazer são algumas obras de pavimentação e acessos rodoviários, que podem apenas ser postergados. Os casos prioritários continuam, esclareceu. Entre o que será mantido, está a rede de gás para as indústrias, feita pela Compagás (Companhia Paranaense de Gás). Oaeroporto de Maringá e o Porto de Paranaguá terão os investimentos mantidos.


