Indústria do boné protesta contra proibição de brindes
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segunda-feira, 03 de julho de 2006
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
Cerca de três mil pessoas ligadas às indústrias de bonés de Apucarana (cidade-pólo/Centro-Norte) são esperadas hoje para uma carreata em protesto contra a minirreforma eleitoral aprovada no início do ano pelo Congresso Nacional e reformulada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que entra em vigor ainda nestas eleições. O ponto de discórdia é a proibição de distribuição de brindes pelos candidatos.
O intuito da manifestação é sensibilizar o Judiciário sobre o reflexo da medida no setor, que somente na cidade emprega cerca de dez mil pessoas. No mês passado, a Confederação Nacional das Indústrias (CNI), ajuizou em nome das indústrias de brindes, uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF), contra a reforma. A expectativa é que a ADI seja votada até amanhã.
''A lei contraria o princípio que determina que alterações nas eleições somente poderão ser feitas há um ano do pleito. O que veio depois disso só vale para a próxima eleição, que seria em 2008'', argumentou o advogado da Associação Nacional da Indústria de Bonés, Brindes e Similares (Anibb), Geison José Simões dos Santos.
O empresário André do Espírito Santo acredita que caso a proibição prevaleça, o setor deverá demitir mais de mil empregados. ''No primeiro semestre, a importação de bonés de países asiáticos já afetou nosso setor. Além disso, em junho, mês de Copa do Mundo, as vendas caem muito. Até agora, já foram cerca de 700 demissões. Se for proibida a distribuição de bonés nas campanhas, deverão ser mais mil demissões'', previu o empresário. Segundo Espírito Santo, no período eleitoral as indústrias produziam cerca de 15 milhões de bonés a mais, o que representava até 40% do faturamento.
Para o empresário, a medida não vai acabar com o abuso do poder econômico e a corrupção nas eleições. ''A gente entende que esse não é o caminho. O valor agregado é muito pequeno. Tinham que achar um culpado em algum setor e infelizmente o nosso foi o primeiro. Achamos que não é esse o caminho para coibir a corrupção.''
Com 132 indústrias e mais de 400 facções que prestam serviços ao setor Apucarana é conhecida como a ''capital do boné''.


