A Fujiwara Equipamentos de Proteção Ltda., de Apucarana (cidade-pólo/Centro-Norte), está tentando garantir na Justiça o ressarcimento de quase R$ 15 milhões junto a duas empresas ligadas ao Banco Santos que está sob intervenção do Banco Central desde 13 de novembro Santospar e Investpar, e ao banqueiro Edemar Cid Ferreira.
De posse de uma liminar concedida em uma ação cautelar de arresto pela juíza substituta da 2 Vara Cível de Apucarana, Juliana Zanon, o advogado da Fujiwara, João Casillo, e dois oficiais de Justiça cumpriram segunda-feira o arresto de obras de arte na residência do banqueiro, no bairro do Morumbi, em São Paulo.
''Foram arrestadas as obras que agora vão ser avaliadas para ver se cobrem ou não (o prejuízo) ou se teremos que reforçar o arresto'', disse Casillo. Segundo o advogado, as obras que incluem uma tela de Portinari e um vaso milenar chinês ficaram depositadas em nome de dois advogados de Ferreira. ''A juíza determinou também a remoção só que na ocasião tive de usar de bom senso. As obras de arte se fossem removidas sem cuidado necessário poderiam ser danificadas, que apesar de serem de propriedade de Edemar, pertencem ao acervo cultural do País, então deixamos depositadas com os advogados'', disse.
Conforme a ação de arresto, a Fujiwara teria adquirido em cinco operações realizadas entre abril de 2003 e janeiro de 2004, 7.729 debêntures da Santospar. Em novembro deste ano, os debêntures teriam gerado à Fujiwara um crédito de R$ 9,8 milhões.
A empresa de Apucarana também teria adquirido da Investsantos, R$ 4,3 milhões em ''export note'', título que representa um crédito, que seria garantido pela Investsantos. ''A intervenção do Banco Central do Brasil no Banco Santos S/A trouxe a público todo o esquema das operações da instituição que atraía dolosamente os investidores, em sua maioria empresas de pequeno e médio porte, bem como estatais. No golpe foram utilizadas outras empresas controladas pelo terceiro réu (Ferreira), diretamente ou por 'laranjas', como são a Santospar e a Investsantos'', diz parte da ação. ''A operação funcionava da seguinte forma: o banco emprestava recursos em valores muitas vezes superior ao solicitado pelo cliente, com a exigência de que fossem aplicados em debêntures ou 'export notes' ou nas empresas não-financeiras do grupo de Edemar Cid Ferreira, como no caso das rés Santospar e Investsantos'', complementa a ação. ''A operação não foi com o Banco Santos, mas o grupo utilizando-se da imagem da banco e do papel timbrado, vendia debêntures e export notes através de outras empresas e agora, quando houve o estouro (intervenção), os papéis não têm liquidez. A empresa (Fujiwara) foi a juízo e utilizando de dispositivos do Código Civil e do Código do Consumidor, desconsiderou-se a pessoa jurídica e foi atrás do sócio. É público e notório que o Grupo Santos é comandado pelo senhor Edemar e então foi que a juíza determinou o arresto'', relatou Casillo.

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