Individualismo marca a eleição na Câmara
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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Eli Araujo<BR>Reportagem local 
A Câmara de Londrina chega hoje ao dia da eleição da nova Mesa Executiva sem definição das chapas que concorrem ao pleito. E o número de candidatos aumentou ontem. Além dos cinco nomes anunciados ontem pela FOLHA e da vereadora Sandra Graça (PP) que concorda em ser ''aclamada'' presidente, surgiu outro candidato: Jairo Tamura (PSB) que conversou com alguns vereadores em busca de votos. ''Há uma corrente que tem simpatia pelo meu nome'', justificou, acrescentando que ''as chances são iguais para todos''.
A Câmara é composta por 19 vereadores: 17 filiados a 9 partidos e mais 2 sem partido. Isto significa que, mantendo as chances iguais para todos, cada candidato teria menos de três votos, o que não viabiliza, na prática, nenhuma candidatura.
Quem está mais surpreso com este panorama é o vereador Roberto Kanashiro (PSDB), o mais antigo da Casa e que já está em seu quinto mandato consecutivo. Ele lamenta que as chapas não estejam definidas antes da votação, como acontecia em outras legislaturas. Kanashiro acredita que a falta de articulação se deve principalmente a uma inversão de valores, ou seja, os candidatos colocarem as questões pessoais em primeiro plano e só depois as questões partidárias ou de interesse público. ''As pessoas agem individualmente; é cada um por si.''
A FOLHA conversou com a maioria dos vereadores e cada um fez sua leitura do momento. Marcelo Belinati (PP) diz que a eleição será polarizada em dois grupos, um pró e outro contra o prefeito Barbosa Neto (PDT). Apesar de não saber ainda em quem votará, afirma que não estaria junto aos aliados do Executivo. Outro desafeto é Joel Garcia, sem partido, que já foi líder do prefeito na Câmara.
Ivo de Bassi (PTN) disse que estava ''solteiro'' para a votação (não havia fechado com nenhum grupo), mas ainda acreditava na formação de uma chapa única. Rodrigo Gouvêa (sem partido) também não está ''alinhado'', mas iria votar de acordo com sua ''consciência''. Sebastião dos Metalúrgicos (PDT) não sabia nem quem eram os candidatos e, ao ser informado, afirmou que ''todos são caras bons''.
Até o começo da tarde de ontem, o único partido que não estava em cima do muro era o PSDB, que fechou com Gerson Araujo, o que garante três votos, de início. Godoy da Copel (PTN) não havia decidido o voto, mas estava propenso a votar no tucano. E a Executiva do PT iria se reunir no começo da noite para definir que orientação seria repassada a seus integrantes.
Uma das possíveis alianças em andamento era do PSDB com o PDT, o partido do prefeito. Gerson Araujo disse que aceitaria a composição, desde que não assumisse um compromisso de apoio incondicional ao Executivo. ''Gosto de trabalhar de forma independente e sem radicalismo'', resumiu.


