A democracia indígena está muito longe do estereótipo primitivista que povoa o imaginário leigo. Na Reserva Apucaraninha pouco se vê no que diz respeito a cartazes, faixas e santinhos de candidatos. Segundo o cacique Moisés Lourenço, fazer propaganda de político na aldeia está proibido, até que a comunidade escolha em conjunto em quem votará. É a política do voto útil, mobilização essa recente nas cidades, mas que sempre fez parte do cotidiano dos povos indígenas onde tudo é decidido em conjunto. ''Vamos conversar com os candidatos e depois reuniremos toda a comunidade para ver quem a gente apoiará'', avisa o cacique.
''Se o candidato ganhar vai ter que ouvir os índios'', assegura o cacique, também eleito para um mandato de quatro anos. ''Mas nem que para isso nós vai (sic) até a casa deles'', avisa o indígena Pedemar Maraguera Poram, 92 anos, uma espécie de consciência moral da aldeia. Instruído como poucos, foi de Pedemar a idéia de fazer os candidatos assinarem o termo de compromisso com a reserva. ''Os políticos se aproveitam da ingenuidade deles (dos índios)'', critica Poram.
Para Poram, que já percorreu diversas aldeias do país até instalar-se em Apucaraninha, o que falta na reserva é a organização e consciência presente em outras comunidades indígenas, como a do Xingú, no norte do Mato Grosso. ''Aqui eles (políticos) prometem o Paraná inteiro para nós. No Xingu, essa conversa não cola'', explica Poram.

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