Índios ocupam sede do PT no Paraná
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segunda-feira, 03 de junho de 2013
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - Depois de nove horas, cerca de 30 indígenas da etnia kaingang, vindos da aldeia de Mangueirinha, no Sudoeste do Paraná, desocuparam a sede do Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), em Curitiba, na tarde de ontem. Eles chegaram no local, que fica na Alameda Princesa Isabel, no bairro São Francisco, por volta das 7h30, e só aceitaram deixar o prédio depois que representantes do PT confirmaram a realização de uma reunião com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e representantes da Casa Civil, em Brasília, no próximo dia 11, às 15 horas.
Ao longo do dia, também ocorreram protestos na BR-373, nas proximidades da cidade de Chopinzinho, no Sudoeste do Estado. A rodovia, que liga as cidades de Coronel Vivida a Guarapuava, foi bloqueada durante algumas horas por indígenas no quilômetro 460, causando congestionamento e deixando o trânsito lento, conforme informou a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Em Paranaguá, no litoral, a sede da Coordenação Técnica da Funai está ocupada por indígenas desde a última quarta-feira.
Os índios criticam a postura adotada pela ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT), que recentemente anunciou a suspensão dos estudos sobre demarcação de terras indígenas no Paraná. Segundo o governo federal, essa interrupção ocorre porque a União defende uma nova regulamentação de delimitação do território indígena, que deve ser anunciada até o final deste semestre. Com a mudança, os dados e relatórios coletados pela Funai, órgão ligado ao Ministério da Justiça, não seriam suficientes para, sozinhos, determinarem a homologação de uma terra, como ocorre atualmente. Para essa demarcação, seriam necessários estudos de outros órgãos, como a Empresa Brasileira e Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e os ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Social.
"O Paraná é muito forte na agricultura mas está deixando de lado a importância dos indígenas, que contribuíram para a formação do Estado. Hoje temos 11 acampamentos onde vivem cerca de 3,5 mil indígenas e eles aguardam um resposta do governo", ressaltou o cacique Romancil Cretã, da aldeia de Mangueirinha.
O protesto também quer chamar a atenção sobre o conflito entre índios e ruralistas que acabou na morte do índio terena Osiel Gabriel, de 35 anos, durante um confronto com a polícia em uma reintegração de posse na cidade de Sidrolândia (MS). "Queremos evitar a situação que ocorreu no Mato Grosso do Sul. Mas se nada for feito outros pontos de conflito podem se instalar no País, inclusive no Paraná", completou o cacique. Conforme ele, hoje no Estado existem 18,7 mil indígenas das etnias guarani, kaingang e xetá, vivendo em 21 aldeias reconhecidas.
O PT do Paraná informou que o diálogo com as lideranças indígenas está aberto, além disso confirmou a realização da audiência na próxima semana, em Brasília.


