Cansados das promessas dos políticos brancos, pelo menos nove candidatos de reservas do Paraná tentam vaga no Legislativo
Cansados das falsas promessas dos políticos brancos, os índios estão buscando representatividade própria. No Paraná, são pelos menos nove candidatos disputando uma cadeira de vereador. Em algumas reservas há mais de um candidato. Para o administrador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Londrina, José Gonçalves dos Santos, a candidatura dos índios representa um avanço na participação no processo político-eleitoral. Antes – explica – as comunidades apenas participavam votando em candidatos de fora da reserva, mas agora começam a indicar seus legítimos representantes. ‘‘Aqueles que realmente conhecem a necessidade dos índios’’, emenda.
José Gonçalves acredita que alguns candidatos têm condições de se eleger, principalmente nas reservas onde existe apenas um concorrente. Ele aponta como um dos fortes candidatos o cacique Nelson Vargas, cacique da reserva São Jerônimo, e que também tem buscado apoio na reserva Barão de Antonina, que pertencente ao município de São Jerônimo da Serra (78 km ao sul de Cornélio Procópio). Para o representante da Funai, há uma orientação para que seja lançado apenas um candidato por reserva.‘‘Isso aumenta a chance de eleger pelo menos um representante, pois não divide o voto’’, justifica.
A estratégia de dividir o voto nas reservas, conforme o coordenador da Funai, é um artifício utilizado pelas coligações políticas. ‘‘Se um candidato a prefeito consegue o apoio de um índio e o lança para vereador, imediatamente um outro candidato concorrente procura encontrar um índio para ser o opositor, com o objetivo de também conseguir votos dos indígenas. Mas isso prejudica a reserva, pois corre o risco de não ter nenhum representante. E aí, os vereadores tradicionais é que mantêm seus redutos políticos nas comunidades’’, adverte.
Na reserva Apucaraninha, em Tamarana (62 km ao sul de Londrina), é justamente isso que está ocorrendo. Lourival de Oliveira (PFL) saiu candidato. Depois, foi lançado o nome de Moisés Lourenço (PSC). A reserva reúne 1,2 mil índios, mas só 400 votam – a maioria não se interessou em fazer título eleitoral. Deste total, apenas 120 votam em Tamarana – o restante tem título em Londrina.
Com a campanha começando a movimentar a reserva, até o cacique Jocelino Virgílio está dividido. ‘‘Ainda não sei em qual dos dois irei votar. Primeiro, quero ouvir as propostas deles e também dos candidatos de fora que virão aqui. Penso que o certo era sair apenas um. O Lourival é mais experiente, conhece muitos políticos e tem trabalhado pela reserva, enquanto o Moisés está começando agora o seu trabalho. Não é bom que a política venha causar a divisão na reserva’’, pondera.

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