Índice revela cansaço, diz socióloga
Índice revela cansaço, diz socióloga
Patrícia Zanin
De Londrina
Cansaço cívico. É assim que a socióloga Maria Lucia Victor Barbosa, colunista da Folha, analisa o alto índice de eleitores indecisos em Londrina. Segundo ela, os números demonstram uma crise de confiança na política e uma frustração do eleitor, causadas pelo impacto das denúncias de corrupção envolvendo o prefeito cassado Antonio Belinati (PFL). As pessoas se desencantam porque confiaram, votaram e não tiveram o retorno que esperavam.
Para a socióloga, que leciona na Universidade Norte do Paraná (Unopar), esse cansaço cívico é legítimo e pode se traduzir em um aumento considerável de votos nulos e em branco. Mas o eleitor deve tomar cuidado para não generalizar. Dizer que não gosta de política e não vota também é prejudicial porque isso é omissão e quem se omite também sofre as consequências, analisa.
Ela acredita ainda que o índice de indecisos reflete ainda o início da campanha e deve se reduzir no decorrer do pleito. Maria Lúcia, porém, não arrisca sobre quanto será essa diminuição.
Para o também sociólogo Pedro Roberto Ferreira, professor da Universidade Estadual de Londrina, embora haja necessidade de uma análise mais aprofundada, o elevado percentual de eleitores indecisos pode significar uma recusa do eleitor de participar do atual processo político. Ele adota uma postura de negar o processo e a estrutura política, analisa.
Na avaliação do professor, o fato de parte do eleitorado já ter feito sua escolha não demonstra, necessariamente, uma consciência política. O marketing trata o eleitor como mero consumidor. Então, a lógica é de que ele escolha um candidato como escolhe um sabonete, avalia.
Ferreira diz que é equívoco pensar que o atual processo político-eleitoral pode beneficiar a população no sentido de lhe provocar uma maior conscientização política. Hoje a população é vista como alguém que será conquistada através de uma ação publicitária, critica. Ele defende que os programas eleitorais na TV ao invés de uniformizar propostas e projetos, discutam arrecadação, principais reivindicações, carências e responsabilidades dos governos frente às necessidades da população.





