Ao deslocar o ministro Paulo Paiva do Trabalho para o Planejamento, o presidente Fernando Henrique Cardoso tenta colocar algodão entre cristais. Paiva tem ao mesmo tempo a confiança do ministro da Fazenda, Pedro Malan - responsável por sua entrada no governo, logo após as eleições de 1994 - e do senador José Serra (PSDB-SP), que exigiu tratamento vip na área do Orçamento para voltar ao governo como ministro da Saúde. Paiva foi contemporâneo de Serra no movimento estudantil, ambos na área de influência da antiga Ação Popular.
Paiva vai receber, no Ministério do Planejamento, praticamente a mesma equipe montada por Serra em sua primeira passagem pelo governo. O ministro que sai, Antônio Kandir, manteve no cargo o secretário-geral, Martus Tavares, e a estrutura do antigo Ministério do Bem-Estar Social, transformada por Serra em Secretaria de Política Urbana. Esta secretaria, comandada por Maria Emília Rocha de Azevedo, cuida dos setores em saneamento e habitação. Pelo menos o setor de saneamento tem vinculação direta com o problema da Saúde.
Serra demonstrou interesse em puxar o setor de habitação para o Ministério da Saúde, nas primeiras negociações com o presidente para voltar a equipe. Com a ida de Paulo Paiva para o Planejamento, a idéia perde sentido. Além de desnecessária - já que Paiva não é um adversário do senador - seria um desprestígio para o futuro ministro do Planejamento. Além disso, ao convidar Paiva para o Planejamento, o presidente Fernando Henrique não fez restrições à atual abrangência da pasta. (A.E.)

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