BRASÍLIA - A desistência do PMDB de apontar nomes para os ministérios da Justiça e dos Transportes deixou o presidente Fernando Henrique Cardoso livre para escolher quem quiser, mas não tornou a missão mais fácil. ‘‘O feitiço virou contra o feiticeiro’’, avaliou ontem um líder governista. Referiu-se à manutenção nos cargos dos secretários-executivos dos dois ministérios, uma medida preventiva do governo caso a indicação do partido não agradasse ao Palácio do Planalto, e que agora dificulta ainda mais a escolha dos novos ministros.
Os aliados que acompanham a novela das substituições no ministério contaram que o Palácio do Planalto está em apuros para encontrar um jurista de renome que aceite o cargo com a missão de reaproximar o Executivo do Judiciário. ‘‘O governo até gostaria de pôr um jurista ligado ao partido na Justiça, mas não está encontrando ninguém’’, revelou um senador do PMDB.
Segundo o parlamentar, cogitou-se do nome de Miguel Reale Júnior que, além de amigo, foi assessor do ex-presidente do PMDB Ulysses Guimarães. Mas hoje Reale Júnior é ligado ao governador paulista Mário Covas, a quem assessorou na elaboração do programa de reforma administrativa do Estado. ‘‘O governo desistiu porque ia parecer que estava indicando um tucano e ficaria muito ruim para o presidente’’, completou o senador peemedebista.
‘‘Não vai ser fácil achar quem queira trabalhar com uma sombra que tem linha direta com o presidente’’, ponderou o líder governista. É que tanto o secretário-executivo da Justiça, Milton Seligman, como seu colega dos Transportes, José Luiz Portela, são homens de confiança de Fernando Henrique para tocar a máquina das duas Pastas.
A bancada de senadores do PMDB absorve melhor a indicação de um deputado para os Transportes e de um jurista, ligado ou não ao partido, para a Justiça, do que a nomeação de dois deputados. Desde o começo das negociações, o Planalto vem se queixando da dificuldade de encontrar perfis adequados para comandar a Justiça no PMDB do Senado, onde apenas os senadores Ramez Tebet (MS) e Renan Calheiros (AL) têm diploma de advogado. Apesar da escassez de opções, os senadores já deixaram claro que consideram ‘‘uma afronta’’ a nomeação de dois deputados.

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