Indicação de Meirelles surpreende
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sábado, 14 de dezembro de 2002
Cristiane Oya<BR>Reportagem Local 
O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), afirmou ter ficado surpreso com a indicação do deputado eleito Henrique Meirelles (PSDB) para o cargo de presidente do Banco Central (BC). O anúncio foi oficializado na última quinta-feira, pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
''Não era um nome que eu apontava para o cargo nas várias avaliações que fiz. Nunca imaginei esse nome, não sei o que levou o presidente a essa indicação, mas ele deve ter avaliado todos os critérios. Imaginava uma pessoa mais afinada com o próprio Antônio Palocci (futuro ministro da Fazenda)'', justificou.
Conforme o prefeito o fato de Meirelles ter que renunciar ao mandato para assumir o BC pode gerar um certo constrangimento ao PT. ''E se acontecer alguma mudança no cenário econômico e ele (Meirelles) ter que deixar o cargo daqui dois meses. Ele fica sem mandato e sem o cargo'', conjecturou Nedson. O artigo 54 da Constituição Federal proíbe que deputados e senadores mantenham o cargo se firmarem contrato com pessoas jurídicas de direito público, como o BC.
''Ele (Meirelles) deve saber disso (renúncia do mandato)'', minimizou o deputado federal eleito Paulo Bernardo (PT). No entendimento de Bernardo, Meirelles deve ser aprovado na sabatina do Senado, agendada para terça-feira. ''Acho que a tendência é o Senado dar um voto de confiança. Não conheço o Henrique Meirelles pessoalmente, mas ninguém é presidente do BankBoston à toa.''
Para poder assumir o cargo, como já sinalizou, Meirelles ainda terá que se desfiliar do PSDB. A assessoria do presidente do partido, deputado José Aníbal, informou que até ontem à tarde Meirelles ainda não havia encaminhado sua carta de desfiliação.
Em nota oficial, José Aníbal disse que não comentaria a indicação. ''Disse a ele (Meirelles) que a decisão era pessoal, mas alertei que o cargo era incompatível com o mandato de deputado e com a ação partidária.''
O deputado federal reeleito Luiz Carlos Hauly (PSDB), somente lamentou a renúncia de Meirelles. ''Seria interessante ver um banqueiro dentro do Congresso. Estava curioso para ver'', afirmou não acreditando em maiores prejuízos ao partido, mesmo com a perda da cadeira. O suplente de Meirelles é Ênio César Sevílio (PSC). ''Fica explícito que eles (petistas) não tinham quadros para governar o Brasil. Não tinham nenhuma pessoa, estão em uma improvisação'', atacou Hauly.
A Folha tentou entrar em contato com o assessor de Palocci, Marcelo Neto, mas ele não retornou as ligações.


