O novo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado – que poderá vir a julgar o presidente do Congresso, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), caso sejam comprovadas denúncias contra ele – toma posse sob polêmica. A indicação do senador Gilberto Mestrinho (PMDB-AM) para a presidência do órgão causou reação de indignação e surpresa entre os senadores, até mesmo peemedebistas, que lembravam que ele foi cassado em abril de 1964 em meio a denúncias de corrupção.
Os parlamentares questionavam também a estreita ligação com o presidente do Senado e o fato de Mestrinho ter firmado juízo de valor, em entrevistas concedidas à imprensa, isentando Jader de responder a processo no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar.
‘‘Vamos tentar mobilizar as lideranças partidárias para que seja indicado para este cargo (presidente do órgão) um nome mais independente’’, avisou a senadora Heloísa Helena (PT-AL), reconduzida pelo partido para permanecer no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. ‘‘Eu não voto nele (Mestrinho) porque presidente do conselho tem de ter posição de isenção completa’’, acrescentou o senador Roberto Saturnino Braga (PSB-RJ), depois de acentuar que a desmoralização do Conselho de Ética e Decoro será a desmoralização do Senado.
Os demais integrantes do órgão preferiram não omitir opinião, de público, sobre Mestrinho, mas houve grandes restrições não só ao nome dele, por causa de várias denúncias de irregularidades que teriam sido praticadas durante o período em que foi governador do Amazonas, e quanto aos demais indicados pelo PMDB, por causa da grande ligação que eles têm com Jader.
Apesar das reações, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), estava irredutível. ‘‘Não há a menor possibilidade de substituição’’, avisou Calheiros.

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