Arquivo FolhaAlencar: administração polêmicaO comando nacional do PFL já começou a manifestar o seu desagrado com a indicação do governador do Rio, Marcello Alencar (PSDB), para integrar o conselho político da campanha de Fernando Henrique Cardoso à reeleição. Segundo o presidente da legenda no estado, deputado federal Arolde de Oliveira, os pefelistas temem os reflexos, na votação do presidente, da administração tucana fluminense, que, afirmou, ‘‘levou o estado à catástrofe’’. Oliveira disse não compreender a indicação para integrar a cúpula dos aliados, de um ‘‘derrotado e fracassado’’, como, conforme o pefelista, é o governador.
‘‘Uma candidatura começa a ser vitoriosa quando faz a melhor equipe de campanha’’, disse o parlamentar. ‘‘Os partidos que apóiam o presidente fizeram isso, indicando homens como Euclides Scalco e Antônio Carlos Magalhães, mas de repente aparece o Marcello Alencar na mesma mesa.’ A situação, segundo o deputado, é mais grave por ocorrer no Rio, onde a disputa está acirrada, com vantagem para o candidato das esquerdas, Luiz Inácio Lula da Silva, e Alencar fez um governo que considera ruim. ‘‘A indicação do governador é absolutamente incrível, nem sei se ele tem algo a ver com Fernando Henrique’’, atacou.
A assessoria do governador informou que Alencar não se pronunciaria sobre as críticas de Oliveira. Informalmente, comenta-se que mesmo na executiva nacional do PSDB há resistências à indicação do governador para a função, mas Alencar quer mais. Ele ainda não desistiu de coordenar diretamente a campanha do presidente no Rio, onde PSDB e PFL têm candidatos diferentes - e rivais - a governador. Pelos tucanos, o concorrente é o vice-governador, Luiz Paulo Corrêa da Rocha, um técnico muito ligado a Alencar. Pelo PFL, é o ex-prefeito Cesar Maia, que ataca o governador sempre que pode.
Oliveira também classificou de ‘‘provocação desnecessária’’ a ‘‘pajelança’’ promovida pela Executiva Nacional do PSDB na sexta-feira da semana passada no Rio para lançar as bandeiras do partido para a eleição de 98. No encontro, houve ataques a Lula e também a Maia, que chegou a ser xingado de ‘‘fascista’’. ‘‘Pôxa, com tantos lugares no Brasil em que o PSDB está forte, vêm logo para o Rio, onde há problemas de palanque e o presidente está mal nas pesquisas?’ perguntou. ‘‘A reunião não prejudicou a aliança porque não decidiu nada e a imprensa não lhe deu importância, mas poderia ter prejudicado, foi um risco’’, disse. Para o deputado, a pajelança foi uma iniciativa ‘‘amadora’’.
Apesar das declarações do presidente nacional do PFL, Jorge Bornhausen, que na última segunda-feira afirmou estar ‘‘sempre aberto’’ a conversas, inclusive com o PSDB, Oliveira disse que os pefelistas fluminenses não desistirão do discurso de oposição a Alencar, apesar de os dois partidos estarem com Fernando Henrique. ‘‘Quem assumiu a oposição ao governo do estado foi Cesar Maia’’, disse o deputado. ‘‘Se fosse há seis meses, haveria tempo e instrumentos políticos para explicar uma mudança, mas hoje não temos como justificar qualquer tipo de aliança com o PSDB, seria entregar (à esquerda) a bandeira da oposição.(AE)

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