Índia recebe Lula com discurso afinado
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de janeiro de 2004
Agência Estado 
Nova Delhi, Índia - Em sua primeira viagem à Índia, a partir deste domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encontrará entusiasmado apoio aos principais discursos feitos por ele no exterior, todos destacando a importância da união entre os países em desenvolvimento para que os emergentes não fiquem ''reféns'' dos Estados Unidos. Depois de participar nesta segunda-feira como convidado de honra do desfile em comemoração ao Dia da República, em Nova Delhi, Lula ouvirá do primeiro-ministro da Índia, Atal Bihari Vajpayee, e do presidente Abdul Kalam que somente esta aliança estratégica fará com que os fóruns internacionais escutem ''a voz do mundo em desenvolvimento''.
''Pouco mais de uma década do fim da Guerra Fria não se viu redução apreciável nas pressões políticas e econômicas sobre países em desenvolvimento da África, Ásia e América Latina'', insistirá o presidente da Índia, numa referência à importância do G-3.
De hoje até o dia 28, quando Lula embarcará para Mumbai (antiga Bombaim), onde vai reunir-se com grandes empresários, os governos do Brasil e da Índia assinarão um mosaico de acordos bilaterais de cooperação em ciência e tecnologia, área espacial, agricultura familiar e até envolvendo o Mercosul.
Mas o presidente Kalam também vai ressalvar, nas boas-vindas ao brasileiro, que as barreiras de acesso a mercados e a extrema volatilidade de fluxos de capitais ainda continuam a impor ''grandes obstáculos'' ao bem-estar do ''sofrido povo'' destas nações.
Num discurso afinado com o de Lula, o presidente da Índia condenará o terrorismo e a reação dos Estados Unidos, embora sem mencionar diretamente o país de George W. Bush. ''O monstro do terrorismo, aliado às vezes a medidas contraprodutivas adotadas por certos Estados para lidar contra tais desafios, vem fortemente multiplicando a tensão global'', vai argumentar Kalam.


