Nova DélhiA Índia celebrou ontem uma de suas festas mais importantes com um desfile militar reduzido devido à mobilização das tropas contra o Paquistão, mas que teve como destaque um míssil cujo teste provocou o temor de um aumento de tensão na região.
Apesar das muitas tropas, canhões e tanques que faltaram ao evento por estarem mobilizados na fronteira paquistanesa, mais de 600.000 soldados e policiais fortemente armados vigiavam as ruas de Nova Délhi para prevenir qualquer atentado dos rebeldes contrários ao governo.
O único material militar apresentado foi uma maquete de tamanho natural do míssil Agni. A Índia realizou sexta-feira um bem sucedido teste com esta arma que tem capacidade nuclear, desatando a ira do Paquistão, que a acusou de desestabilizar o Sul da Ásia em um momento de grande tensão.
Vinte e seis de janeiro comemora o aniversário do dia em que a Índia se transformou em República, em 1950. Habitualmente serve de pretexto para as forças armadas exibirem seu arsenal.
Helicópteros de combate cortaram ontem os céus da capital, mas os caças MiG permaneceram afastado e em alerta. Foi a primeira vez que o desfile se apresentava tão esvaziado devido à tensão no Paquistão.
A Índia mobilizou a maioria de suas tropas na fronteira com o inimigo depois do ataque do mês passado contra o Parlamento indiano, atribuído por Nova Délhi a dois grupos islamitas baseados no Paquistão.
O Paquistão negou qualquer envolvimento no atentado e colocou na ilegalidade ambos os grupos, embora também tenha mobilizado suas forças na fronteira.
‘‘O dever de nossos soldados está em nossas fronteiras e não podemos ter uma participação militar total no desfile’’, explicou um general.
Coincidindo com o Dia da República, guerrilheiros de tribos contrárias ao governo lançaram, como todos os anos, ataques no nordeste da Índia, com um saldo de um morto e vários feridos; na Caxemira, extremistas muçulmanos explodiram uma repetidora de televisão.

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