Independência divide tucanos do PR
Patrícia Zanin
De Londrina
A bancada federal do PSDB do Paraná está dividida quanto à proposta de independência que o presidente estadual da sigla, senador Alvaro Dias, está defendendo em relação ao governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Dos seis deputados federais que integram o grupo, pelo menos dois não pretendem se rebelar contra o governo. Luiz Carlos Hauly reafirmou ontem que se mantém na vice-liderança do governo na Câmara e Flávio Arns disse que é melhor apontar caminhos que podem ser seguidos pelo governo ao invés de adotar uma postura de confronto.
Nesse momento de dificuldade vivido pelo Brasil, prefiro alertar o governo que temos de seguir certos caminhos fundamentais do que fazer conflito, argumentou Arns. Ele disse que pode se intitular tucano de bico vermelho porque já vem adotando uma postura crítica em relação à insuficiência de políticas na área social, mas aposta em mudanças. Isso se o governo atender aos anseios da sociedade e chamá-la para trabalhar junto.
Para Hauly, Alvaro está correto em pregar a independência porque a interlocução do governo federal tem sido com o PFL e não com o PSDB. Em que pese a minha posição de vice-líder, o mérito é meu. Não é nenhuma concessão e sim ônus. Apesar de se manter na função, ele diz que a recomendação do senador deixa os tucanos paranaenses livres para fazer críticas públicas contra o governo, como o grupo de São Paulo.
Max Rosenmann também considera coerente a postura de Alvaro. Não tem sentido chegar ao poder e não fazer parte dele, reclamou. Ele disse que os tucanos estão ressentidos em relação ao tratamento que vêm recebendo do governo federal e criticam a falta de indicação de filiados para compor quadros tanto em nível nacional como estadual. O Hauly era líder no Congresso, mas teve que abrir mão. Eu também abri mão da segunda secretaria dentro do partido. O ministro do Paraná é do PFL. Não temos sequer um office-boy indicado pelo PSDB no Paraná, reclamou.
O tucano disse que a independência será exercida com caráter e patriotismo. Não vamos votar indiscriminadamente contra o governo. Uma bela reforma tributária vamos votar. A previdência, mesmo impopular, para ajudar o Brasil também e ainda a defesa dos agricultores, que vamos votar também.
Na opinião do deputado federal Chico da Princesa, o Paraná tem que ser visto como um Estado capaz de colaborar com o governo. Você vê que mudou o ministro da Agricultura e o Osmar (senador e ex-secretário da Agricultura) não foi lembrado, apesar de ter feito um excelente trabalho, lembrou.
O líder da bancada do Paraná, deputado José Borba (PMDB), admitiu ontem que a postura de independência defendida por Alvaro deve interferir nas votações do grupo. O senador tem liderança no partido e no Estado e isto sem dúvida modificará as votações, afirmou. Borba atribuiu a decisão da executiva tucana como um descontentamento com os rumos do governo federal. Isto demonstra governo fraco, mesmo que eu seja da base governista preciso dizer isto, reconheceu. (Colaborou Pedro Livoratti)Bancada não fecha questão sobre a recomendação da executiva estadual de distanciamento do governo de FHC
Arquivo FolhaCRÍTICA CONSTRUTIVAArns: Prefiro alertar do que fazer conflitoArquivo FolhaSEM PODERESRosenmann: Não temos nem office-boy indicado por nós





