Indenizações reproduzem a injustiça social
São Paulo - A fórmula de indenização aos atingidos pela ditadura consagra o sistema de injustiça social do País, à medida que privilegia os bem formados com valores muito elevados e reserva uma reparação irrisória aos mais humildes, observa Nilmário Miranda. Profissionais com formação acadêmica levam vantagem quando pedem sua indenização. Eles podem alegar que tiveram a carreira seccionada e, não fosse a perseguição, poderiam ascender ao topo. Com esse tipo de argumentação é possível conseguir valores astronômicos.
Já os operários sem formação ficam limitados ao ganho de suas profissões.
Há os que se dedicavam em tempo integral à militância política e nem trabalhavam. No Brasil, operário sempre ganha menos que jornalista, ironiza a ex-guerrilheira Criméia Telles, que aguarda o julgamento de seu pedido para ganhar uma pensão de R$ 2.100 mensais.
O governo sabe que não aplicar a lei, isto é, não pagar as boladas retroativas, vai redundar, num futuro próximo ou longínquo, em litígios na Justiça. Miranda acha que não é possível modificar a lei porque a indenização já foi paga a muita gente, o que gera direito adquirido aos demais. (C.M./AE)





