Indenização para ex-presos políticos vai até dezembro
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 11 de novembro de 2003
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os ex-presos políticos que ainda não foram contemplados pela Lei Estadual 11.255 de 21 de dezembro de 1995, que prevê indenização para todas as pessoas que foram detidas entre os dias 2 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979 sob acusação de terem participado de atividades políticas durante o Regime Militar, poderão fazer a inscrição para o recebimento do benefício até o dia 17 de dezembro. Os pedidos podem ser encaminhados para a Ouvidoria Geral do Estado.
Esse é o caso do servidor público Antonio Carlos da Silva Molina, 44 anos. Ele foi detido, perseguido e espancado pela Polícia Militar (PM) e pelo Exército durante o período da ditadura. Molina era membro de frentes de esquerda e participou do movimento pela libertação da brasileira Flávia Shirling, que foi presa no Uruguai em 1978. ''Queríamos recursos e respaldo político para libertação da brasileira. Nesse ato é que comecei a ser fichado'', afirmou ele, mostrando documentos nacionais do antigo Departamento de Ordem e Política Social (Dops).
Molina foi integrante da União Paranaense de Estudantes (Upe), da União Nacional dos Estudantes (Une) e do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). ''Recebia cartas de ameaça de morte, fui expulso da faculdade de engenharia por me negar a usar o discurso da ditadura militar.'' O servidor público iniciou a militância política em 1972. Foi espancado 20 vezes por integrantes do Regime Militar. Um dos momentos mais lembrados por ele foi uma viagem que fez a Cuba para um seminário de estudantes. Na volta, foi classificado como terrorista treinado em Cuba. ''Eu tinha apenas 17 anos. Fiquei três semanas num seminário lá. Não daria tempo de passar por um treinamento terrorista'', ironizou.
No relatório médico, consta que Molina ficou com sequelas físicas (artrose na coluna cervical e lombar, deslocamento da mandíbula, perda e quebra de dentes, abertura do supercílio direito, pequena fratura na testa do lado esquerdo, bursite no ombro direito por causa de um pequeno deslocamento da clavícula) e mentais (pesadelos, insônia, depressão, síndrome do pânico).
Os pedidos de indenização vão ser analisados por uma comissão composta por sete representantes num prazo de 60 dias. Os valores serão analisados conforme a gravidade das arbitrariedades sofridas e poderão variar entre R$ 5 mil e R$ 30 mil. No governo Jaime Lerner (PSB), 240 indenizações foram concedidas. Cerca de 40 pedidos ficaram pendentes. Até agora, dez novos casos deram entrada na Ouvidoria Geral do Estado. ''Vamos analisar todos os casos com cuidado e fazer justiça, analisando a documentação que nos será entregue'', disse o ouvidor Luiz Carlos Delazari.


