Indenização a ex-preso pode demorar cinco anos
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sábado, 29 de novembro de 1997
Patrícia Zanin Londrina 
Hoje é um dia histórico. Eu peço inspiração e agradeço a Deus por estar vivo. A declaração é do ex-preso político João Alberto Einecke, 53 anos, que deu entrada ontem na Justiça Federal de Londrina com uma ação de danos morais contra a União. Ele requer uma indenização de R$ 10 milhões pelos três anos que passou na prisão, de 1975 a 1978, por ser militante comunista. Ele diz que não reivindicou a indenização antes por falta de condições psicológicas.
A ação foi ajuizada pela advogada Soraia Araújo Pinholato que estima um prazo mínimo de cinco anos para o julgamento. A Justiça Federal está abarrotada de processos, argumenta. As duas varas da Justiça em Londrina têm cerca de 20 mil ações em andamento. Pinholato cita um caso de Maringá, onde um ex-preso político obteve ganho de causa em processo semelhante.
A companheira de Einecke, Cleusa Carvalho, diz que ele saiu da prisão, mas não se libertou do pesadelo. Ele está reconstruindo a vida dele e não pode perder mais essa, espera. O ex-preso político tem sequelas físicas e psicológicas decorrentes das torturas que sofreu.
Além da ação de danos morais, a advogada de Einecke reivindica do INSS o pagamento de uma aposentadoria especial ao seu cliente e a indenização que o governo do Estado deverá pagar no próximo ano aos ex-presos políticos torturados durante o regime militar, prevista em lei estadual. Ontem, em Londrina, o governador Jaime Lerner (PFL) prometeu efetuar o pagamento das indenizações o quanto antes.


