Indefinições provocam
contrariedade e tensão
A falta de definição sobre quem serão os novos ministros e as informações não oficiais sobre quem sairá acirraram as tensões dentro da base do governo e entre os próprios auxiliares de FHC. Com a sua saída dada como certa por pelo menos três interlocutores de FHC, Bresser Pereira manifestava contrariedade. Ao contrário de vários colegas, ele não entregou a carta colocando o seu cargo à disposição. Até o início da noite de ontem, o ministro tucano assegurava a seus assessores que sua saída não passava de boato.
Embora auxiliares de FHC afirmem que a demissão do pepebista Turra terá ‘‘custo político zero’’, já que a bancada parlamentar do partido é pequena e o PPB ainda tem o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, o partido procurava brecar o processo.
Com a sua saída defendida publicamente por dirigentes do PSDB e do PFL, o ministro da Justiça Renan Calheiros articula a sua permanência. A preocupação do PMDB com uma possível redução de seu espaço é grande. ‘‘Somos fortes e não vamos aceitar a diminuição da nossa parcela no poder’’, disse o senador Ney Suassuna (PB),
Segundo uma fonte, FHC vai preferir nomes que não priorizem os partidos a que são filiados em detrimento da fidelidade ao governo, mas não pretende alterar o equilíbrio de forças entre seus aliados e as regiões do País, com exceção do PPB, que considera super-representado. ‘‘Ele vai montar uma equipe em que cada região do País se sinta representada e que, dentro das cotas partidárias, se respeite a correlação de forças’’, disse. (A.E.)

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