Nas ruas ela ainda não começou, mas, nos bastidores, a campanha à Prefeitura de Londrina entre Barbosa Neto (PDT) e Luiz Carlos Hauly (PSDB) começa a repetir o acirramento verificado no primeiro turno de 2008, quando o tucano passou à frente do pedetista por uma diferença de apenas 1.871 votos (63.891 contra 62.020 votantes). Os dois candidatos não chegaram a um acordo em relação à propaganda eleitoral em rádio e TV, e hoje vence o prazo dado semana passada pelo juiz da 189 Zona Eleitoral, Luiz Gonzaga Tucunduva de Moura, para que eles formulassem, se assim o julgassem necessário, uma alternativa aos dois programas de 20 minutos diários em cada uma das mídias. À ocasião, o magistrado fora taxativo: se não houvesse entendimento entre ambas as coligações, o formato original - que prevê ainda 30 inserções diárias a cada um, em rádio e televisão - seria mantido, de 14 a 26 de março.
Após duas reuniões do grupo de trabalho formado por representantes das emissoras e das coligações, não se chegou a um consenso, até ontem à noite, sobre o pacote proposto pelas empresas, o qual previa participação dos candidatos em programas jornalísticos com entrevistas, por exemplo, e aumento médio de 10% na quantidade de inserções diárias. Uma terceira proposta, não aceita, foi a diminuição do programa eleitoral em TV pela metade - os tucanos, em contrapartida, propunham dissolução dos 40 minutos diários em inserções ao longo do dia. As emissoras alegaram inviabilidade.
O pedetista convocou uma coletiva para reforçar que aceita abrir mão dos programas, desde que o adversário, a quem fez um ''apelo'', assim o faça também. ''Não quero atrapalhar a novela, o futebol, o jornal do telespectador, nem os programas de rádio que já existem na programação. E faço um apelo para o Hauly: por favor, abra mão do programa do horário eleitoral gratuito. Não há necessidade'', clamou.
Ingadado sobre a utilidade dos programas para o convencimento do eleitor, respondeu: ''Os eleitores já nos conhecem, e haverá debates. Sem contar o prejuízo às pessoas de outras cidades que não terão eleição, e que terão seus programas interrompidos''. E o debate de propostas, não sai prejudicado? ''Se não tivéssemos tido já dois turnos (na verdade, entre Hauly e Antonio Belinati, do PP), se não fôssemos candidatos conhecidos, até levaria isso em conta - mas todo mundo sabe quais são nossas propostas''.
Hauly criticou a sugestão do advserário e rechaçou abrir mão ''dos 260 minutos que terei em cada emissora, mais os 195 minutos de inserções''. O tucano lembrou que a proposta de revisão do formato foi apresentada inicialmente por uma emissora de TV. ''Havíamos conversado, Barbosa e eu, sobre a diluição do tempo em inserções, mas, para surpresa nossa, na primeira reunião ele propôs abrir mão de todo o horário, que pertence aos candidatos e ao eleitor, não é uma faculdade do candidato'', declarou, para completar: ''O candidato não pode dar uma de bom samaritano eleitoral e pensar em jogo de futebol, novela, jornal - acho muito estranha essa generosidade, porque, até a eleição, o assunto mais importante para o londrinense é o futuro da cidade'', alfinetou.

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