Indefinição na Cultura preocupa produtores
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quinta-feira, 08 de janeiro de 2009
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
Produtores culturais e artistas londrinenses manifestaram ontem a preocupação com a provável aglutinação das secretarias de Educação e Cultura. O receio deles ganhou mais corpo com a declaração do prefeito interino Padre Roque (PTB), em entrevista coletiva ontem pela manhã, ao anunciar o novo presidente da Sercomtel, Mário Jorge de Oliveira Tavares.
Roque disse que pretende ter um diretor de Cultura, o que reforça declarações anteriores de que tem a intenção de juntar algumas pastas. Não são apenas os representantes da classe artística de trajetória mais longa que estão aguardando com ansiedade e preocupação uma definição para a Secretaria de Cultura.
Na avaliação da jornalista e produtora cultural da Vila Cultural Alma Brasil, Juliana Oshima Franco, as atuais secretarias de Cultura e Educação têm estruturas grandes - somente a rede de ensino reúne mais de 80 escolas - o que inviabilizaria a aglutinação.
''Na Secretaria de Educação, por exemplo, não são apenas escolas urbanas, mas também as rurais. É difícil uma pessoa só assumir as duas áreas e se atualizar de tudo, acabando por privilegiar uma e negligenciando outra'', afirma Juliana, acrescentando que não existe preocupação de que os projetos aprovados pela Vila Cultural no Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic) para este ano sejam inviabilizados. O receito maior é em relação à continuidade em 2010.
Já o diretor da Escola Municipal de Dança e do Ballet de Londrina, Leonardo Ramos, diz que o período de férias e o esvaziamento da programação cultural nesses dias contribuem para desmobilizar a classe artística, mas destaca que o momento não é de tranquilidade.
Ele lembra que a conquista da criação da Secretaria de Cultura foi na administração Antonio Belinati, consolidada na gestão Luiz Eduardo Cheida.
''É preocupante abrir uma brecha para um diretor. Mesmo que interinamente porque o prefeito que for eleito pode gostar da ideia. Filosoficamente dizer que Cultura e Educação são áreas que têm afinidade todos nós sabemos, mas não é bem assim'', afirma o diretor, ressaltando que, no caso da aglutinação, a importância de ser escolhido uma pessoa com conhecimentos específicos das duas pastas, o que torna difícil definir um nome com essa característica.
O diretor do Festival Internacional de Londrina (Filo), Luís Bertipaglia, também se diz preocupado com a indefinição, defendendo ainda que a melhor opção para o momento seria um funcionário de carreira.
''Acho que cada Pasta tem as suas características e precisa de um secretário específico. Unificar seria temeroso. Se é por um período de transição é até aceitável, mas a manutenção seria prejudicial'', enfatiza Bertipaglia.


