Arquivo FolhaConversaArraes e Lula: em janeiro último, encontro já tentava aparar arestasO episódio PT/PDT no Rio de Janeiro aprofunda as divergências existentes entre o PT e o PSB em Pernambuco, tornando mais difícil um entendimento. Esta é a avaliação de socialistas ligados ao governador Miguel Arraes, presidente nacional do PSB. O presidente regional do PT, deputado federal Fernando Ferro, tem uma visão mais otimista. Ele acredita que o racha no Rio pode ter servido de alerta aos que resistem - e eles são muitos - a uma aliança com Arraes no nível estadual. ‘‘Temos de ter mais prudência, pois um racha do PT com o PSB pernambucano poderá ampliar a crise no bloco das esquerdas’’, afirma. ‘‘E quanto mais isolado ficar o PT, pior’’.
Um dos mais críticos e ferrenhos opositores do governo Arraes, o deputado estadual petista Paulo Rubem, discorda. Ele frisa que ao contrário de Brizola - ‘‘que está fazendo chantagem com Lula’’ - Arraes não condiciona a aliança nacional com o PT a uma aliança estadual. E diz ser muito complicado para o partido assumir um discurso de campanha contra o presidente Fernando Henrique sendo aliado de Arraes, cuja administração ‘‘tem pontos reprováveis e inaceitáveis, a exemplo do envolvimento no ‘‘escândalo dos precatórios’’.
Miguel Arraes reitera que busca a unidade das esquerdas e que não sobrepõe os episódios regionais à questão nacional. Assessores seus, entretanto, afirmam ficar muito difícil para o governador, na prática, dividir um mesmo palanque com os seus principais adversários políticos.
O PT define se coliga ou não com o PSB-PE no encontro estadual do dia 15 de maio. E, neste final de semana, Fernando Ferro se reúne informalmente com lideranças estaduais do PDT para tentar compor uma aliança. Segundo ele, o racha do Rio provocou uma paralisação nos entendimentos com os pedetistas, com quem o PT trabalhava a possibilidade de uma aliança na eleição proporcional.
Paulo Rubem, ao contrário, afirma que o episódio carioca em nada influenciou a relação com o PDT no Estado, pois a paralisação nas negociações havia ocorrido antes do episódio. Ele admite que o racha venha a ter efeitos caso Brizola, ‘‘que age como um caudilho’’, decidir, por exemplo, que o seu partido não deve se aliar ao PT.

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