Indecisão no caso 'Renangate' emperra trabalhos no Senado
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quinta-feira, 21 de junho de 2007
Christiane Samarco<br>Agência Estado 
Brasília - A crise em torno da representação do PSOL contra o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), por quebra do decoro parlamentar, ultrapassou os limites físicos do Conselho de Ética, quebrou a rotina do Senado e ameaça paralisar os trabalhos da Casa. Acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista da empreiteira Mendes Júnior e sob suspeita de usar documentos falsos em sua defesa, Renan perdeu desenvoltura política para circular pelos corredores e salões do Senado e até para receber autoridades estrangeiras.
Incomodado com o assédio da imprensa, Renan mudou até o ritual da recepção a chefes de Estado de outros Países. Foi assim na semana passada, quando recebeu a presidenta da Letônia, Vaira Vike Freiberga, e na última quarta-feira, com a visita do presidente da República Dominicana, Leonel Fernandez Reyna. Em vez de recepcioná-los com pompa no Salão Nobre - e aberto - do Congresso, como de praxe, ele optou por uma acolhida a portas fechadas, em seu próprio gabinete de presidente.
''Foi o retrato do isolamento em que ele se encontra'', descreveu mais tarde peemedebista que testemunhou parte da reunião com a presidenta da Letônia. ''Enquanto ela estava cercada pela comitiva de quase duas dezenas de pessoas, Renan se fez acompanhar apenas da senadora Serys Schessarenko (PT-MT).
Enquanto o peemedebista lamentava a ''recepção tímida'' aos chefes estrangeiros, líderes da oposição, como o pedetista Jefferson Peres (AM), protestavam contra o uso da estrutura do Senado na defesa do presidente, o que, no entender deles, gera o risco de ''contaminar'' a instituição. Eles se queixaram do deslocamento da secretária-geral da Mesa Diretora, Cláudia Lira, do advogado do Senado, Alberto Caiscais, e do secretário de Controle Interno, Shalom Gramado, para assessorar a defesa de Renan no Conselho de Ética.
''Todo processo de grande repercussão altera mesmo a rotina da Casa'', conforma-se o senador Renato Casagrande (PSB-ES), ao admitir que a crise em torno do presidente também começa a dificultar o quórum em reuniões do plenário e das comissões técnicas.
''Matérias importantes e prioritárias ficam em segundo plano e, se esse processo se prolongar, não vai ter jeito: a Casa vai viver exclusivamente em função desse processo'', prevê o socialista. Ele sustenta, no entanto, que, ao menos nesta fase preliminar, não há necessidade de Renan se afastar da presidência.
Casagrande avalia que qualquer processo de cassação, independentemente de quem for o processado, acaba paralisando os trabalhos. Tanto é assim, que o processo nem começou e o andamento dos trabalhos foi prejudicado a tal ponto, que os amigos mais próximos de Renan aconselharam-no a dividir melhor suas preocupações e seu tempo entre a montagem da defesa e as atividades de plenário.
Foi por isto que, depois de passar o dia em casa, reunido com advogados e correligionários mais experientes como o senador José Sarney (PMDB-AP), ele desembarcou no Senado no meio da tarde e assumiu o comando da Ordem do Dia e das votações.


