''Se acontecer alguma coisa de bom este ano, até eu vou me surpreender''. A frase dita pelo novo prefeito de Porecatu (85 km ao norte de Londrina), Dario Lunardelli (PFL), 67, exprime bem a incerteza em relação aos planos para a cidade em 2005. Chefe do Executivo porecatuense pela terceira vez, o agricultor assumiu a prefeitura depois de uma transição que ele considera ''negativa''. O resultado veio agora com o registro de um boletim de ocorrência contra a última administração.
''Isso foi necessário porque não sei onde estou pisando. Deletaram toda a memória do setor de contabilidade, de forma que não ficou qualquer registro de 2000 para cá'', denunciou Lunardelli, que não teria conseguido falar com o ex-prefeito Dionísio Santos (PT) nem com algum advogado dele para esclarecer a questão.
Dessa forma, avisa o prefeito, a falta de uma planilha de gastos e de um valor exato das dívidas com fornecedores e prestadores de serviços deve comprometer ''seriamente'' as expectativas da população para este ano. Assim, a prioridade deve ser o setor de saúde, hoje um dos mais criticados pela população (leia texto nessa página).
''Não adianta investir em educação, por exemplo, se a criança que vai à escola tem verme no organismo. Os demais setores vêm depois'', afirmou, para anunciar que vai retomar ainda este mês a reforma do Hospital Municipal, o único de Porecatu. Como não há dinheiro em caixa, a verba para a conclusão da obra, a princípio, deve vir da usina hidrelétrica Duke Energy. O montante R$ 105 mil, de início, a serem aplicados no hospital refere-se ao pagamento de indenizações por alagamentos causados pela barragem, há cerca de dois anos.
Entretanto, a promessa depende de uma contrapartida da prefeitura: a mudança de lugar do aterro da cidade, hoje a cerca de 400 metros da linha de água. ''Temos três ou quatro terrenos para isso; depende agora só da aprovação do Instituto Ambiental do Paraná (IAP)'', declarou.
Os empenhos a serem pagos, completou o prefeito, até agora são desconhecidos. Os cerca de R$ 1,3 milhão com fornecedores e prestadores de serviços não passam de estimativas e, tão logo sejam pagos com parte do orçamento de R$ 12,8 milhões deste ano, serão encaminhados para análise do Tribunal de Contas do Estado. ''Além disso, nomeei três técnicos para analisarem os computadores comprados na última administração e a descrição de suas notas fiscais'', sublinhou, referindo-se aos cerca de 40 equipamentos adquiridos ao preço médio de, assegura, R$ 3,6 mil. ''São máquinas lerdas demais, mas qualquer irregularidade só o laudo técnico é que vai dizer mesmo se houve'', apontou.
Apesar do ''rombo'' que Lunardelli afirma ter encontrado, há a perspectiva forte de uma faculdade particular de Marília (interior paulista) se instalar em Porecatu. De acordo com Lunardelli, para este ano já é certa a realização de vestibular para dois cursos; para o restante do mandato, deve vir um campus completo. ''Eles estão pedindo o terreno para construir o complexo educacional. De qualquer maneira, vamos arrumá-la, sim''. Conforme o prefeito, isso não só atrairia mais alunos ao município, como também auxiliaria e muito os que já vivem nele. ''Temos pelo menos 200 estudantes que fazem faculdade na região. Muitos desistem por não ter dinheiro para o transporte'', justificou.
A Folha tentou ouvir algum advogado do ex-prefeito Dionísio Santos, mas ninguém foi identificado como tal. Santos foi procurado pela reportagem em sua residência e por telefone, mas não foi localizado.
* Amanhã, confira a situação em Alvorada do Sul.

mockup