ParísUma certa angústia toma conta dos principais candidatos ao Palácio Eliseu, Jacques Chirac e Lionel Jospin, preocupados com suas modestas posições nas pesquisas de opinião, a três dias do primeiro turno das eleições presidenciais. A pulverização do eleitorado, devido à presença recorde de 16 candidatos, e o pouco impacto de suas respectivas campanhas eleitorais colocam o neogaullista Chirac (69 anos) e o socialista Jospin (64 anos) na faixa dos 20 por cento na intenção de voto e até abaixo disso, no caso do segundo.
O enorme e inesperado eco que têm na campanha os extremos, à direita e esquerda do espectro ideológico, perturbam as aspirações destes dois homens, obrigados a coabitar no topo do poder executivo nos últimos cinco anos.
‘‘Os senhores acham que meu marido superará os 20 por cento?’’, lançou ao ar recentemente Bernardette Chirac numa viagem da campanha eleitoral, sem ocultar a inquietação que paira sobre ‘‘O Tapete Vermelho’’, o quartel-general do presidente-candidato em um popular bairro de Paris que é a menina dos olhos de arquitetos, publicitários e estilistas. A mesma incerteza reina no ‘‘Estúdio’’ de Jospin, situado a 500 metros do escritório de seu rival.
Embora relativamente seguros de que seus chefes superarão o primeiro obstáculo do domingo, as duas equipes de campanha dão voltas e mais voltas com pesquisas próprias e alheias que invadem os jornais, as rádios e as televisões.
Do lado de Chirac, estima-se que Jean-Marie Le Pen – líder da ultradireitista Frente Nacional (FN) – referendado por até 15 por cento do eleitorado, segundo algumas pesquisas, incomodaria enormemente o chefe de Estado. Se Le Pen é a ‘‘pedra no sapato’’ de Chirac, a ultra-esquerdista Arlette Laguiller é a de Jospin.

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