Mais de 100 pessoas invadiram ontem, por volta das 20 horas, as instalações da Metalúrgica Unida, em Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) e incendiaram o barracão da empresa. A metalúrgica teria como proprietário o ex-prefeito de Sigfried Boving (PFL), o Zico. Os suspeitos do incêndio são ex-funcionários que voltaram de férias coletivas esta semana e estão com os salários atrasados.
Além de depredar todo o galpão de alvenaria, os vidros foram quebrados e os poucos móveis que restavam foram destruídos. Para atear fogo no barracão, combustível e produtos químicos teriam sido utilizados. Três caminhões-tanque do Corpo de Bombeiros foram usados para combater o incêndio. Em pouco mais de 40 minutos as chamas foram controladas. No pátio da metalúrgica, houve destruição de simuladores de votos (cerca de 200 destes equipamentos foram encontrados anteontem).
Durante todo o dia, circularam boatos de que a metalúrgica seria incendiada na madrugada. Os ex-funcionários também passaram o dia retirando móveis e outros equipamentos. O ex-prefeito, candidato derrotado à reeleição, está desaparecido.
Ontem à tarde, enquanto ‘vasculhavam’ o que sobrou dos equipamentos da empresa, os funcionários entraram em um apartamento que é conjugado ao barracão da fábrica. Em um dos quartos do imóvel eles encontraram simuladores de urnas eletrônicas e um álbum de família de Zico.
De acordo com Everton José Rodrigues, um dos funcionários da empresa, o apartamento estava fechado nos últimos meses, mas um dos filhos e a mãe do ex-prefeito já moraram ali. Os equipamentos foram encontrados na tarde de terça-feira. Durante a noite, várias máquinas tinham sido saqueadas por moradores da região. Ontem havia cerca de 60 máquinas no local.
O simulador é fabricado em Maringá pela empresa Votech. O diretor da empresa, Carlos Alberto de Almeida, confirmou que vendeu 200 simuladores de voto a R$ 150,00 cada um para o diretório municipal do PFL em Pinhais. Segundo ele, a empresa está hoje desativada por causa da determinação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) que proibu o uso de simuladores na campanha do ano passado.
Almeida disse que a tecnologia desenvolvida na produção dos simuladores feitos em Maringá é exclusiva da Votech, detentora de uma patente registrada. Ele explica que a diferença entre o simulador e a urna oficial está no disco mecânico que permite ao candidato colocar a foto e digitar o número correspondente. Na urna oficial, as fotos são digitalizadas e obedecem a programação pré-estabelecida.
O diretor afirmou que não sabe por que os simuladores foram abandonados pelo ex-prefeito. ‘‘Isso agora é problema deles, até porque o TRE proíbe o uso do simulador e não a fabricação e o comércio’’, ressalta Almeida.
Os simuladores de urna eletrônica são proibidos no Paraná e em diversos Estados por determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No ano passado, a Justiça Eleitoral não permitiu a comercialização do produto devido ao alto custo e à limitação do uso, que poderia induzir os eleitores a votarem em apenas determinados candidatos. Por ser caro, o equipamento só poderia ser comprado por candidatos com grande poder aquisitivo.
A junta eleitoral de Piraquara (também na Região Metropolitana de Curitiba), responsável por Pinhais, só poderá abrir processo contra o ex-prefeito se houver uma denúncia formal. Como Zico não foi reeleito, dificilmente um partido político ou outros candidatos façam a denúncia. (Colaborou Marta Medeiros)

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