Incêndio destrói documentos de CPI
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sábado, 01 de fevereiro de 1997
Agência Folha 
SÃO PAULO - Um incêndio, ainda de causas desconhecidas, destruiu ontem de madrugada os documentos do relatório da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Assembléia Legislativa de Alagoas que investiga o caso dos precatórios. A CPI apura irregularidades na emissão de Letras Financeiras do Tesouro do Estado. Ontem, os deputados deveriam iniciar a apreciação do relatório da CPI.
O incêndio começou por volta da 1h30. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o fogo atingiu parte do plenário, destruiu totalmente uma sala e parcialmente outra. Ainda segundo os bombeiros, o fogo se espalhou rapidamente devido à presença de muitos materiais inflamáveis. O trabalho de rescaldo durou toda a manhã. O material retirado pelos bombeiros foi encaminhado para a perícia, que apontará as possíveis causas do incêndio.
O material da CPI que estava lá foi todo destruído, disse a deputada Heloisa Helena (PT), que faz parte da comissão. Ela não quis comentar se o incêndio teria sido criminoso, limitando-se a dizer que a perícia é que vai definir as causas.
O secretário estadual de Comunicação, Romero Vieira Belo, disse que o incidente é mais um desdobramento da onda que estão fazendo (contra o governo). Ele negou qualquer participação do governo no incêndio. Não faria sentido nenhum o governo provocar o tumulto, afirmou Belo. Segundo ele, o governo tem o apoio da maioria dos deputados e qualquer questão pode ser resolvida por meio de votação. Por que o governo iria tocar fogo num prédio, se ele tem tudo para ganhar as decisões no voto?, questionou o secretário. Ele acredita que o incidente tenha servido para mostrar para quem vive fora de Alagoas que o clima (lá) não é um clima bom, politicamente.
O relatório final da CPI estava sendo novamente elaborado na tarde de ontem. A comissão estava reunida com diversas entidades do Estado, entre elas a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Os integrantes da CPI tinham cópias de todo o material referente ao processo em suas casas. Com esses acontecimentos, a gente acaba se sentindo mais estimulado para continuar e finalizar o relatório rapidamente, afirmou a deputada Heloisa Helena.
Anteontem, o governador Divaldo Suruagy (PMDB) prestou depoimento à CPI. Ele alegou que seu testemunho foi só uma encenação teatral e que o relatório estava pronto desde quarta-feira. O valor das emissões das Letras - R$ 301,6 milhões - teria sido usado para pagar dívidas do governo com empreiteiras e usineiros. O dinheiro deveria ser usado para pagar precatórios.
A deputada Heloisa Helena disse não ter dúvidas de que o governador sabia exatamente sobre todas as questões relevantes (do caso) e que os atos praticados foram feitos com seu aval e com o aval do vice-governador. Ela também disse que a CPI poderia caminhar para um afastamento do governador.


