O crescimento dos gastos com inativos vai produzir um forte impacto na capacidade de investimento dos Estados em 2002. Em São Paulo, os R$ 7,7 bilhões que o governo destinará para os servidores inativos corresponderão a nada menos que 14 vezes a verba aplicada na Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), responsável pela construção de casas populares. No Rio, os recursos comprometidos com o Rioprevidência vão exceder em quase R$ 500 milhões o valor reservado para obras e área social. ''O ônus para a sociedade está ficando insuportável'', avalia o ex-ministro Fazenda Maílson da Nóbrega.
Os valores em outros Estados também causam espanto. No Rio Grande do Sul, por exemplo, 22% da receita será destinada ao pagamento de aposentados. Esse dinheiro - pouco mais de R$ 2,5 bilhões - é mais que o investimento previsto para toda gestão do governador Olívio Dutra (PT).
Em Pernambuco, os gastos com inativos (R$ 828,9 milhões) vão superar a verba destinada no próximo ano para Saúde (R$ 718,7 milhões), Defesa Civil (R$ 749,3 milhões) e infra-estrutura (R$ 747,1 milhões). ''O aumento dos gastos com inativos está diminuindo os espaços para investimentos em áreas como segurança, saúde, educação'', enumera o secretário de Previdência Social,Vinícius Pinheiro. ''Necessariamente, ocorrem prejuízos para a população.'' Ele lembra que os próprios servidores são prejudicados por essa lógica.
Hoje, cada real que se dá a um funcionário da ativa é repassado para os inativos, que recebem como aposentadoria seus salários integrais. ''Isso engessa os servidores porque dificulta os reajustes'', afirma Pinheiro. ''Não há um só caso de contribuição suficiente para essas aposentadorias'', critica Maílson.
Os aposentados não querem nem ouvir falar no assunto. ''Escolheram os velhinhos para pagar o pato'', acusa o presidente do Sindicato dos Fiscais e Agentes Fiscais de Tributos do Estado de Minas (Sindifisco-MG), Antônio de Pádua Silva. ''O problema do País é a dívida e os juros exorbitantes.''
De acordo com coordenador de Finanças Públicas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), José Carlos Jacob, depois da Constituição de 1988, os Estados calcularam que seria melhor ter o sistema de hoje a pagar Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e a contrapartida do Estado ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
As possibilidades para solucionar o problema são aumentar a contribuição dos ativos ou taxar os inativos.
A primeira hipótese tem limitações. A taxa máxima no País é a do Amazonas e do Paraná, que cobram 14% de seus ativos. Como a contribuição foi aprovada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), entende-se que esse é o ''teto''.
Aumentar as taxas em outros Estados é tarefa difícil. ''Politicamente, pode ser doloroso'', alega Jacob, que estudou o assunto e critica a maneira como os governos instituíram as taxas. ''Ninguém fez estudo adequado de quanto cobrar dos ativos.'' (Colaboraram Ângela Lacerda, Evaldo Magalhães, Evandro Fadel, Sérgio Gobetti e Wilson Tosta)

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