A impunidade sempre predominou em todos os casos conhecidos em que deputados ‘‘pianistas’’ votaram em lugar de colegas. Esse termo foi inspirado nos ex-parlamentares Ronan Tito (PMDB-MG), Homero Santos (PFL-MG) e Irapuã Costa Júnior (PMDB-GO), os primeiros ‘‘pianistas’’ identificados no plenário da Câmara. O delito dos ex-deputados aconteceu em 1985, quando o plenário da Câmara votava a lei eleitoral para as eleições de 1986. Flagrados com as duas mãos no painel de votação instalado nas bancadas, os parlamentares foram denunciados pela imprensa, mas não sofreram qualquer sanção.
Nessa época (legislatura 1983/1986), a Câmara não dispunha de painel eletrônico e os deputados podiam registrar o voto duplo, usando as duas mãos, das cadeiras do plenário. O painel só foi instalado a partir da votação da Assembléia Nacional Constituinte, em 1988.
Depois desse escândalo, Costa Júnior elegeu-se senador, o mesmo destino teve Tito e Santos foi indicado para uma vaga de ministro do Tribunal de Contas de União (TCU), onde chegou à presidência.
Na Constituinte, o senador Édison Lobão (PFL-MA) teria ‘‘tocado piano’’ para o deputado Sarney Filho (PFL-MA). Quando a prova da quebra de decoro foi divulgada, o então presidente do Senado, Mauro Benevides (PMDB-CE), argumentou que as fotos não provavam a identidade de Lobão, embora as evidências estivessem em todos os ângulos. O caso foi arquivado.
Outro ‘‘pianista’’ a alcançar fama foi Nilton Baiano Horta (PMDB-ES), que votou pelo colega João Batista Motta (PSDB-ES). O único resultado prático dessa investigação foi a decisão do ex-presidente da Câmara Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) de criar um cercadinho, onde ficariam confinados os jornalistas que queriam assistir à sessão do plenário.
No início dessa legislatura, em 1995, o deputado Moisés Lipnik (PTB-RR), que nasceu em Cali, na Colômbia, visitava o país natal, enquanto o nome aparecia no painel eletrônico do plenário da Câmara numa votação das reformas econômicas. Moisés negou ter repassado a senha a alguém, e sugeriu que o delito tivesse sido cometido por um desafeto. Sem provas, o escândalo ficou por isso mesmo. (A.E.)

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