Impopularidade preocupa articuladores
Agência Estado
De Brasília
A falta de perspectiva de reversão da impopularidade do presidente Fernando Henrique Cardoso nos próximos meses já está preocupando abertamente os responsáveis pela articulação política do governo. O receio é que a tendência negativa das pesquisas de opinião dificulte a articulação da base parlamentar para a aprovação de medidas de ajuste fiscal, e inviabilize a eleição de um presidente em 2002 afinado com o Palácio do Planalto.
A tendência da economia é positiva, mas a reação popular sempre é lenta. Não podemos nos esquecer que Bill Clinton se elegeu presidente dos Estados Unidos em 1992 e Tancredo Neves ganhou a indicação do Colégio Eleitoral no Brasil em 1985 denunciando uma recessão econômica que não existia mais em ambos os casos, disse o líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (PSDB- AM). Para o parlamentar, só depois de um período aproximado de um ano de contínua recuperação econômica as curvas de popularidade se revertem.
A apreensão maior do líder governista é que o governo ainda deverá exigir da base aliada no Congresso a votação de medidas impopulares, como novas modificações na legislação previdenciária. A questão fiscal ainda não está equacionada. A receita que temos para pagar os benefícios previdenciários é de aproximadamente metade do que seria necessário, afirmou. E, com a popularidade em baixa, a articulação da base governista fica cada vez mais difícil. O principal problema que o governo enfrenta é de opinião pública. Com aprovação em baixa, é natural a tendência de personalidades políticas quererem se tornar independentes, disse o assessor presidencial Wellington Moreira Franco, ex-governador do Rio de Janeiro.
Para o vice-presidente do PFL, senador José Jorge (PE), a tendência é o problema se agravar caso Fernando Henrique não comece a gerar fatos de impacto na opinião pública para recuperar popularidade. Para o final deste mês, os partidos de oposição já estão programando uma série de atos em Brasília, inclusive uma marcha de sem-terra, que chegará à capital no dia 26. Apenas três dias depois, está previsto um caminhonaço, organizado por empresários rurais insatisfeitos com o tratamento que vêm recebendo do governo.
Se ficarmos esperando a melhora na economia refletir na conjuntura política a situação ficará cada vez mais nervosa, afirmou. De acordo com o senador, a falência de empresas muito conhecidas e os seguidos aumentos nos preços de combustíveis anulam qualquer boa notícia referente a indicadores econômicos. O presidente está com muitas amarras provocadas pelo ajuste fiscal e pelos acordos com o FMI. Ele precisa viajar mais, estar presentes nos estados e apoiar mais os governadores e os prefeitos, sugere o pefelista.
De acordo com o senador, apesar da iniciativa do presidente do Senado Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) de propor um fundo de combate à pobreza, estabelecendo um contraponto em relação ao governo federal, a cúpula pefelista vê com ceticismo a possibilidade de um afastamento do governo ser bem recebido eleitoralmente.
Ainda apostamos na recuperação de Fernando Henrique, porque não seria fácil explicar ao eleitorado uma separação. Mas estamos muito preocupados, disse. Já o líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), prega a paciência. Não há rigorosamente nada a fazer a não ser aguardar o tempo de maturação. Sem retomada de crescimento, não se reverte impopularidade, e para isto acontecer temos que manter o rumo econômico atual, disse.





