Impeachment terá votação tensa em SC
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sábado, 28 de junho de 1997
Agência Folha Florianópolis 
Banco dos réusPaulo Afonso: acusado de emissão irregular de títulos públicosA votação do impeachment do governador de Santa Catarina, Paulo Afonso Vieira (PMDB), marcada para amanhã, ocorrerá em um clima de confronto entre os Poderes Executivo e Legislativo. A hostilidade institucional contaminou os manifestantes que defendem o impeachment e os que são contrários à medida. No final da tarde de ontem, grupos dos dois lados partiram para a briga, sem consequências graves.
O acirramento de ânimos ameaça com um cenário de conflito. O governador disse ter tomado as todas as providências para garantir a integridade pessoal e patrimonial. O presidente da Assembléia, Francisco Kuster (PSDB), acusa o governador de ter criado um clima de guerra, atribuindo-lhe a responsabilidade por quaisquer eventuais incidentes. Vieira declarou que o deputado quer reprimir a manifestação porque é contra ele. Disse estranhar o comportamento do presidente do Legislativo.
O governo espera reunir até 50 mil manifestantes na região onde fica a Assembléia, vizinha da sede do Executivo e do Judiciário, no centro de Florianópolis, para pressionar contra o golpe. Não haveria mais ônibus à disposição no Estado, todos contratados pelo PMDB para transportar manifestantes do interior. Assessores do governo dizem que será difícil controlar a massa, caso o resultado do plenário da Assembléia seja adverso para o governador, acusado de irregularidades na emissão de títulos públicos.
Também serão votados os pedidos de impeachment do vice-governador, José Augusto Hulse, do secretário da Fazenda, Paulo Prisco Paraíso, e do procurador-geral do Estado, João Carlos Hohendorff. Para a aprovação são necessários 27 votos. Para a rejeição, 14 votos. O PMDB possui uma bancada de 11 deputados. Se pelo menos seis dos oito deputados do PFL acatarem a ordem do partido de votar pelo impeachment, o afastamento de Vieira seria aprovado, porque os deputados dos demais partidos de oposição (PPB, PT, PSDB e PDT) dizem estar fechados contra ele.
Os manifestantes pró-impeachment pretendem reunir cerca de 5 mil pessoas. Não nos intimidamos e queremos ficar em uma área isolada para evitar provocações, disse o presidente da CUT-SC (Central Única dos Trabalhadores), Alípio Alves. Eles (governistas) estão no desespero e podem perder o controle emocional. Nós vamos para a praça para concluir o trabalho cívico que fizemos desde o início do escândalo, esclarecendo a população, declarou Alves.
A Polícia Militar não acredita que o número de manifestantes chegue a 50 mil. Estima, por sondagens feitas no interior do Estado, em torno de 20 mil. Não haverá expediente administrativo nos quartéis da PM nesta segunda-feira, a fim de que os PMs sejam usados na área operacional. Cerca de 2.500 soldados (mais da metade do contingente da região metropolitana) serão destacados para atuar em função da votação do impeachment. Haverá isolamento com cordas e as ruas próximas à Assembléia serão interditadas para o tráfego de carros.
Só entrará na Assembléia quem estiver credenciado (deputados, assessores, convidados dos deputados, funcionários e jornalistas). Todos serão submetidos a revista minuciosa, que inclui detector de metal. Como medida de segurança, o estacionamento dos deputados será desativado.
O PMDB tem convocado a população para a concentração contra o golpe, por meio das mais diferentes formas de comunicação. Carros de som, por exemplo, percorreram as ruas da cidade, repletas de outdoors pró-Vieira, conclamando para o ato.
O presidente da Assembléia, Francisco Kuster (PSDB), está pedindo, em mensagens veiculadas nas TVs e rádios, que a população assista à votação em casa pelos meios de comunicação. A TV Parlamento, da Assembléia, inaugurará sua operação transmitindo a votação (canais 16 e 20 no sistema cabo, em Florianópolis).


