Impeachment retira protagonismo de PT e PSDB
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sábado, 30 de abril de 2016
Edson Ferreira<br>Reportagem Local 
PT e PSDB, os dois principais partidos políticos do País, ocupantes da Presidência da República nos últimos 21 anos, enfrentam dilemas distintos, porém, profundos, que devem aumentar com o possível afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT) nessa semana, quando o Senado vota o relatório do impeachment. Embora a instauração do processo não signifique, ainda, o fim do mandato, o próprio governo reconhece que depois de 180 dias longe das funções, Dilma dificilmente recuperaria o cargo.
Com a ascensão de Michel Temer à Presidência, o PMDB volta a comandar o governo federal, novamente de forma indireta desde José Sarney (1985-1990), então vice-presidente de Tancredo Neves. Como consequência, o PT vai para a oposição e terá que recomeçar a sua reconstrução. O PSDB, por sua vez, sai da oposição, e vai ser coadjuvante no governo peemedebista. Para o professor e ética e filosofia da Universidade Estadual de Londrina, Clodomiro Bannwart, os tucanos podem sair desse processo ainda mais fragilizados do que petistas.
Segundo o analista, "o PSDB, que tem no seu horizonte a chegada ao poder em 2018, está em uma linha tênue". "Se ele declara apoio total ao governo, pode ficar arranhado se o Temer for mal, ou pode ficar em segundo plano se a gestão for um sucesso. Por outro lado, se vai para a oposição, vai se juntar ao PT e teríamos, então, depois de mais de 20 anos, os dois principais adversários políticos em um mesmo lado", avaliou Bannwart.
Há o risco, para os tucanos, de o PMDB ocupar o espaço que tucanos não conseguiram dominar nesses últimos 13 anos como oposição, conforme o professor. "O projeto anunciado por Temer caminha mais à direita do que o PSDB esteve em todo esse tempo. Isso também preocupa os tucanos." O fato explicaria essa negociação encampada por Aecio Neves e outros líderes pelo fim da reeleição.
O vice-presidente do PSDB no Paraná e deputado federal, Luiz Carlos Hauly, evitou projetar o futuro do partido. Segundo ele, "não é momento de pensarmos em partidos, temos que apoiar o governo, o Brasil precisa de muitas reformas e o Temer precisa aproveitar essa oportunidade ímpar, onde conta com apoio do Congresso e da sociedade".
Hauly também defendeu o fim da reeleição. "Entendo que é uma mudança necessária. Aliás, esse foi o principal erro político nosso, pois um país em construção não pode ter reeleição." A possibilidade de dois mandatos consecutivos foi aprovada no governo de FHC. Sobre um eventual fracasso do governo Temer, amparado por tucanos e os outros partidos de direita, o deputado afirmou que "seremos todos cobrados, faz parte".
RAÍZES
O presidente do PT paranaense e deputado federal, Enio Verri (PT), nega que o "golpe contra a presidente Dilma" esteja decretando o fim do partido. "O PT levou mais de 30 anos para se tornar uma referência na política, portanto não se acaba assim de uma hora para outra com um partido enraizado", disse Verri, em entrevista à FOLHA.
Para o deputado petista, por mais que o governo Temer tenha êxito, a fragmentação do PMDB o impedirá de construir um sucessor em 2018. "É um partido grande, mas não tem unidade nacional, está dividido nos estados. No Paraná, por exemplo, até bem pouco tempo atrás, o PMDB tinha o líder do governo e o líder da oposição na Assembleia, uma situação que mostra bem como é o partido." Verri reconheceu que o PT, caso Dilma perca o mandato, deixaria o governo enfraquecido, entretanto, em condições de se recuperar com o apoio da militância. "Quando um partido chega ao poder, como ocorreu com o PT, é natural que os melhores nomes ocupem cargos, o que acaba enfraquecendo um pouco o partido nas bases. Se houver o retorno desses militantes, haverá o reforço da legenda para 2018, quando o PT terá candidatos."


