Impeachment domina discursos na Assembleia
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segunda-feira, 18 de abril de 2016
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba - Como já era esperado, a abertura do processo de impeachment contra Dilma Rousseff (PT), por 367 votos a 137, repercutiu ontem na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, onde a base aliada ao governador Beto Richa (PSDB), adversário da presidente, dispõe de ampla maioria. Curiosamente, o líder do Executivo na Casa, Luiz Cláudio Romanelli (PSB), foi um dos mais críticos à admissibilidade. Tanto ele como o petista Tadeu Veneri se disseram decepcionados com a autorização do impedimento, que agora será avaliado pelo Senado. Do outro lado, deputados governistas e o próprio presidente da AL, Ademar Traiano (PSDB), comemoraram o resultado.
"O clamor das ruas falou mais alto. Acredito que não há político que resistia à pressão popular e ao descalabro que o Brasil está vivendo falta de credibilidade política, segurança jurídica para quem quer investir e falta de credibilidade perante a opinião pública", afirmou o chefe do parlamento. O tucano também se mostrou confiante com a aprovação por parte dos senadores. "A admissibilidade deve ocorrer nos próximos 20 dias e a minha leitura é essa. A presidente deverá se afastar por seis meses. Considero como fato definitivo. E estando afastada, dificilmente voltará."
Traiano comentou ainda os discursos proferidos pelos deputados federais antes dos votos. Muitos citaram as famílias, Deus, as igrejas e os segmentos aos quais fazem parte, com o agronegócio. Houve até quem homenageasse os militares responsáveis pelo golpe de 1964, caso de Jair Bolsonaro (PSC-RJ), que citou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do Doi-Codi, órgão de repressão do 2º Exército, em São Paulo. "Era uma forma de extravasar quem sabe todo esse período tenso quer viveram. Cada um tem a sua forma de agir, de pensar, mas o que prevalece, na minha leitura, é o interesse maior pelo País."
O líder da oposição, Requião Filho (PMDB), teceu pesadas críticas à postura dos congressistas. "Muita gente votou pelos filhos e pelos netos e pouca gente pelo processo de impeachment em si." Entretanto, o peemedebista desconversou sobre o que pensa dos argumentos citados para a derrubada de Dilma. "O resultado foi que nós vimos um Congresso extremamente despreparado, que não quis discutir o assunto. Tentaram fazer pequenos vídeos para colocar no Instagram, ao invés de discutir os problemas do Brasil. Meu posicionamento é esperar o Senado, porque tenho um pedido de impeachment igual aqui (do governador), que foi engavetado."
Conforme Veneri, o último domingo foi "um dia muito triste, que constrange". "Eu não diria pelo resultado em si porque é obviamente uma escolha dos deputados -, mas pelo circo de horrores que vimos dentro da Câmara. Penso que, apesar do tempo que nós estamos na vida pública, poucos tinham visto algo semelhante. Ao invés de um processo de debate, acabou sendo um processo de palavras vazias", opinou. Para o petista, que diz acreditar em um resultado diferente no Senado, ao PT cabe não só respeitar o resultado, mas principalmente se mobilizar para que "as conquistas sociais não sejam perdidas e as acusações comprovadas".
Romanelli foi na mesma linha. "Reconheço que não esperava; eu, que lutei contra a ditadura, vivenciar num prazo tão curto o segundo impedimento de um presidente da República. Entendo que o voto do povo é sagrado, é soberano, e a interrupção é um desserviço à democracia." De acordo com ele, o que houve em Brasília foi uma articulação conduzida pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), como vingança. "A Dilma sempre se contrapôs a ele, que é réu em nove ações no Supremo. E diga-se mais: ele não sairá da presidência da Câmara. A Operação Lava Jato está ameaçada."
Questionado sobre o porquê de não confiar na continuidade da operação, Romanelli respondeu: "Se o Cunha conseguiu retirar da Presidência uma pessoa que foi legitimamente eleita pelos brasileiros, para ele o céu é o limite". O líder do governo citou ainda o fato de apenas quatro parlamentares, entre os 30 da bancada paranaense, terem votado contra o impedimento. "Não vou fulanizar, mas aqueles que são da base de apoio e durante anos passaram louvando os feitos dos governos Lula e Dilma têm de ser observados."


