Desemprego, crise econômica, saúde e educação. Em todas as regiões de Londrina, moradores apontam que estes são os principais problemas do Brasil e veem na eventual saída da presidente Dilma uma esperança para que a situação mude mais rapidamente. Descrentes, não acreditam que apenas o impeachment vai transformar a realidade. Diante da falta de esperança, porém, apostam que a decisão pela saída da governante pode trazer mudanças mais rápidas para a vida individual dos cidadãos.

No extremo sul de Londrina, no Jardim Nova Esperança, o comerciante Anderson Costa, de 37 anos, parou de acompanhar de perto as notícias sobre a política nacional porque "as coisas acontecem muito devagar". Dono de um mercado em um bairro que atende uma população de trabalhadores da construção civil, ele lida diariamente com o desemprego dos clientes e tem feito esforços para cortar despesas e não ter que demitir alguns funcionários. "Caiu o faturamento e as despesas aumentaram. Está difícil, se não houver uma reação da economia depois de domingo, vou ter que dispensar", lamenta.

Na zona leste, a cabeleireira Simone Hirayama, de 45, tem um salão no Jardim Interlagos e vê o movimento cair dia após dia. "Tem que melhorar a educação para o povo aprender a votar. Já está comprovado que o governo roubou, a Dilma tem que sair e devem convocar novas eleições, porque quem pode assumir atualmente também não vai resolver", critica.

No Jardim Eucaliptos, também zona leste, o pedreiro Pedro Roncálio, de 62, é uma vítima do desemprego que também espera melhora na economia para voltar a trabalhar com regularidade. "Trabalho em um mês, no outro não. Estou a favor do impeachment para haver mudança, mas não sei se vai melhorar. Pode até ficar pior", questiona ele, que se decepcionou por acreditar que Dilma mentiu durante a campanha. "Ela falou que a economia ia melhorar, mas subiu água e luz", criticou.

A conta de água, aliás, é o que mais assusta a desempregada Maria Aparecida Rodrigues, que tem catado materiais recicláveis para sobreviver. Ela recebe R$ 89 mensais da bolsa família, mas usa R$ 57 para pagar a conta de água. "O que sobra para comer?", pergunta ela, que "não tem opinião" sobre o impeachment. "Só sei que precisa melhorar muita coisa no Brasil."
No Maria Cecília, na zona norte, um dos mais tradicionais bairros dos Cinco Conjuntos, a vendedora autônoma Angélica Ferreira, de 27, defende a saída de Dilma por acreditar que a mudança de governo pode melhorar as condições de vida do povo. Mãe de duas crianças, ela reclama que não tem acesso a atendimento médico de qualidade e não pode voltar ao mercado de trabalho formal após o nascimento dos filhos porque não consegue vaga para deixar os meninos na creche. "Espero que a Dilma saia e a situação melhore", acredita.

Na zona oeste, no Jardim Santiago, o desempregado Carlos Eduardo Cláudio da Silva, de 33, trabalhava como auxiliar de produção mas foi dispensado da empresa há quatro meses por motivo de "contenção de despesas". "Acho que todos os políticos precisam mudar, não têm compromisso com as pessoas que votam neles. Trabalham apenas para o partido e para eles mesmos", critica. Para Silva, o Brasil precisa de investimentos em emprego, saúde e educação. "O governo precisa melhorar as condições para os empresários trabalharem e gerarem mais empregos. É isto que está faltando", considera.

Já no Jardim Leonor, a pensionista Armelinda Menezes da Silva, de 79, quer que o impeachment seja aprovado para que a presidente saia. "Estão falando que ela está 'atrapalhando', então é bom afastar. As coisas estão muito caras e não tem remédio no posto de saúde. Até um tempo atrás, o dinheiro dava. Se não está bom, é melhor mudar", resume.
Ao contrário da maioria dos entrevistados, o personal trainner Gabriel Martins, de 25, ainda não sentiu impacto da crise no trabalho. Morador da Gleba Palhano e com uma clientela principalmente das classes altas, ele conta que ainda não perdeu alunos, mas percebe que está difícil conquistar novos clientes. "As pessoas não querem assumir novas despesas porque não sabem o que vai acontecer", acredita ele, que defende o impeachment principalmente por causa da corrupção. "A roubalheira precisa parar, o impeachment vai trazer esperança para a população", afirma.

No Centro da cidade, a arquiteta Elaine Pansolin Souza, de 55, compartilha da mesma opinião e espera que a eventual saída da presidente diminua a corrupção no Brasil. "A malandragem está solta, a expectativa é que o impeachment melhore tudo", afirma ela, para quem educação e saúde devem ser prioridades para o governante que venha a assumir o País. "Espero que entre alguém capaz de fazer mudanças de verdade."

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