Impasse pode prejudicar Londrina no orçamento da União de 2009
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domingo, 23 de novembro de 2008
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Além da onda de perguntas sem resposta que o processo de Antonio Belinati (PP) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) despertou no dia-a-dia do cidadão londrinense, a demora na definição de quem finalmente será empossado prefeito daqui a pouco mais de um mês traz outro tipo de insegurança que, a médio e longo prazos, pode afetar justamente o desenvolvimento da cidade: sem prefeito eleito liberado, são nulas as articulações no Congresso Nacional para que verbas sejam repassadas à cidade por meio das chamadas emendas parlamentares.
Para lideranças da bancada paranaense na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, os efeitos da indefinição no processo eleitoral de Londrina já podem ser percebidos em Brasília. Com certeza isso afeta a liberação de recursos para a cidade. Podemos até tentar uma emenda de bancada para a cidade, por exemplo, para a construção de creches. Mas a partir do momento em que não se sabe quem será o prefeito, não temos essa pessoa no Congresso gestionando para áreas prioritárias em projetos que poderiam ser empenhados já este ano, explicou o deputado federal Alex Canziani (PTB).
Para o petebista, a indefinição ainda prejudica a formação de uma equipe de transição que poderia, ela própria, também manter os contatos com os parlamentares em torno de projetos. Fica muito ruim assim, até porque, com o secretariado definido, o novo prefeito começaria em janeiro com a corda toda. Indagado se a demora do TSE é por prudência na análise ou negligência, Alex recuou. Não é pouco caso: o Tribunal tem uma quantidade grande de processos; talvez o de Londrina não seja o mais relevante. Mas a cidade precisa de uma solução.
Para o senador Osmar Dias (PDT), a demora pode ser sintomática: Talvez nem o próprio TSE esteja certo da decisão que vai tomar, disse. Mas deveria ter julgado isso já no primeiro turno. Este seria o momento de o futuro prefeito estar constituindo sua equipe de governo para tentar a liberação de recursos; é claro que a demora trará conseqüências.
Osmar comentou que há 15 dias, pelo mneos, seu gabinete tem sido visitado por prefeitos eleitos no estado a fim de articularem a aprovação de emendas. Se fosse só a insatisfação da população... A verdade é que esse impasse vai trazer prejuízos, uma vez que o orçamento da União está sendo elaborado, as emendas estão sendo apresentadas e não tem ninguém defendendo Londrina, a não ser os que o fazem por livre e espontânea vontade.
Já o senador Álvaro Dias (PSDB) divergiu dos colegas. Sempre se trabalhou suprapartidariamente nas emendas de bancada, independente de quem está administrando a cidade. O prefeito Nedson (Micheleti, do PT) fez obras com emendas minhas e do (Luiz Carlos) Hauly (PSDB); o deputado André Vargas (PT) me pediu que converssasse com deputados tucanos para facilitar a liberação de emendas do PT a Londrina. Ou seja: quanto a isso, ninguém estará preocupado sobre quem será o prefeito, garantiu o tucano. Quanto ao tempo de análise do Tribunal, que avança já para quase um mês, Álvaro foi enfático: Ela faz jus à importância de Londrina como cidade de 500 mil habitantes. Certamente os ministros estão agindo com prudência, pois têm ciência da responsabilidade que têm nas mãos, acredita.


