Com a interferência direta do presidente Fernando Henrique Cardoso, o senador Ramez Tebet (PMDB-MS) foi retirado do Ministério da Integração Nacional para tentar resolver o impasse em torno da sucessão na presidência do Senado. Mas, nem assim, a cúpula peemedebista conseguiu a garantia de indicar um nome de sua confiança para a cadeira, desocupada ontem pelo senador Jader Barbalho (PMDB-PA).

No início da noite de ontem, o senador José Sarney (PMDB-AP), mesmo magoado com o Palácio do Planalto e depois de comunicar ao presidente do PFL, Jorge Bornhausen (SC), que não seria candidato, admitiu disputar a indicação na legenda.

Em vez de resolver o problema, a volta de Tebet agravou ainda mais o racha interno do partido. Mesmo depois de obter de Fernando Henrique a garantia de que o ministério não seria extinto e o cargo permaneceria com o PMDB após a saída do ministro a direção da legenda não conseguiu pacificar a sua bancada. Os senadores José Alencar (MG) e José Fogaça (RS) passaram a acusar o Planalto de ter feito uma intervenção no Senado. ''Não é possível que entre os 25 senadores do PMDB inexista um nome capaz de presidir o Senado'', protestava Fogaça. ''Trazer alguém de fora para resolver o impasse é um desrespeito à instituição.''

Já Tebet negou que seja o ''candidato do presidente Fernando Henrique Cardoso'' para a presidência do Senado. ''Ninguém é candidato de si mesmo. Fui convidado pelo partido, e comuniquei isso ao presidente. Eu estou no Ministério da Integração Nacional por indicação do meu partido e por confiança do presidente da República'', disse Tebet.

Mas o que motivou a cúpula peemedebista a tomar essa decisão foi a briga com o PFL e com o PSDB, que vetaram a indicação do líder do partido, senador Renan Calheiros (AL), para presidir o Congresso. Além disso, a direção do PMDB irritou-se, também, ao perceber que o PFL teria se ''apropriado'' da candidatura de Sarney. ''Quero ver o PFL e o PSDB vetarem o nome que é da preferência do presidente Fernando Henrique'', desafiava um dos dirigentes do partido.

O dirigente tinha razão. O PFL tentou uma manobra regimental para adiar para a próxima semana a eleição do novo presidente do Senado, marcada para hoje. Arrastou setores do bloco de oposição e tucanos. Mas, ao final da tumultuada votação do requerimento que adiaria a escolha, o PSDB recuou e se juntou ao PMDB para decidir que a sessão será mesmo hoje. Até o fechamento desta edição, o impasse sobre a escolha do candidato do PMDB para a presidência do Congresso ainda não havia sido resolvido.

mockup