Impasse no PMDB faz Dilma adiar reforma ministerial
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quinta-feira, 24 de setembro de 2015
Gustavo Uribe, Valdo Cruz e Natuza Nery<br> Folhapress 
Brasília - Sem conseguir resolver um impasse interno no PMDB pela indicação de ministérios, a presidente Dilma Rousseff adiou para a semana que vem o anúncio da nova configuração da Esplanada dos Ministérios. Mais cedo, a petista já havia informado ao vice-presidente Michel Temer que não divulgaria ontem as mudanças programadas na reforma administrativa. Em nota, a Secretaria da Comunicação Social ressaltou que a presidente tem tido "proveitoso diálogo com os partidos políticos" e que o objetivo é realizar uma reforma política "que a amplie a eficiência e a boa gestão dos recursos públicos". "Alguns dos partidos que integram a base aliada solicitaram o adiamento do anúncio para que mais consultas possam ser realizadas", disse.
O governo chegou a anunciar ontem a criação o Ministério da Cidadania, unindo as pastas de Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos. O nome mais cotado para comandar a nova pasta é o de Miguel Rossetto, que hoje é ministro da Secretaria-Geral da Presidência.
O Palácio do Planalto tem encontrado dificuldades para acomodar os ministros aliados do vice-presidente. Para solucionar o impasse, a presidente considera abandonar a fusão entre Aviação Civil e Portos. A ideia é manter Eliseu Padilha no primeiro ministérios e transferir para o segundo o ministro Helder Barbalho (Pesca), cuja pasta deve ser extinta na nova configuração ministerial. No início da semana, no entanto, a presidente havia oferecido o novo Ministério da Infraestrutura para a bancada do partido na Câmara dos Deputados.
A possibilidade da petista não fundir as pastas e entregar Aviação Civil e Portos para aliados do vice-presidente irritaram o líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Leonardo Picciani (RJ). Ele ameaçou, inclusive, retirar as indicações da bancada peemedebista para o Ministério da Saúde caso a presidente não volte atrás na decisão. Em um aceno ao mercado, a petista também deve ministro Armando Monteiro (Desenvolvimento), indicado pelo PTB e que criticou recentemente as medidas do pacote fiscal que diminuem os repasses ao Sistema S e reduzem a alíquota de abatimento do Reintegra.
O ministro Ricardo Berzoini (Comunicações) garantiu ontem a permanência de Monteiro no posto em encontro com a bancada do PTB na Câmara dos Deputados. "Tivemos com o Berzoini e principal ponto da conversa foi dizer que apoiamos a manutenção do Armando Monteiro", disse o líder da bancada federal, Jovair Arantes (GO). A pasta chegou a ser oferecida ao PMDB do Senado Federal, que a recusou e passou a reivindicar a Integração Nacional.
Ela estuda também fundir as pastas do Trabalho, Previdência Social e Desenvolvimento Social e extinguir Micros e Pequenas Empresas. Em uma tentativa de estancar a crise política, a presidente prometeu entregar cinco ministérios ao PMDB, entre eles o da Saúde para garantir o apoio da sigla a seu governo e evitar que dissidentes apoiem o impeachment de Dilma na Câmara dos Deputados. A avaliação do Palácio do Planalto, no entanto, é de que o aceno ao PMDB dá fôlego momentâneo ao governo federal, mas não afasta a possibilidade de ser aberto um processo de afastamento da petista.


