Em cinco minutos de leilão, um só lance, de R$ 428 mil - exatos R$ 290 acima do valor inicial -, dado pelo único participante da negociação. Foi esse ontem o destino de um imóvel do ex-prefeito de Londrina e atual deputado estadual Antonio Belinati (PP) leiloado para quitar uma dívida judicial. O débito, de R$ 83.468,42 (valor corrigido), se refere a uma ação de responsabilidade civil, causada por dano moral, ajuizada em julho de 1998 pelo ex-promotor de Defesa do Patrimônio Público e atual procurador de Justiça Bruno Sérgio Galatti.
Localizado no Jardim Londrilar (Área Central), o imóvel de 435 metros quadrados estava penhorado desde outubro de 2005, e indisponível em 32 ações civis públicas que tramitam em oito varas do Fórum de Londrina. O dano moral pleiteado pela defesa de Galatti se justificaria em função de declarações supostamente ofensivas contra ele, proferidas pelo então prefeito e veiculadas em um periódico. A sentença condenatória de Belinati foi proferida em 2000 pelo juiz da 5 Vara Cível, Alberto Júnior Veloso, que estabeleceu o pagamento de 500 salários mínimos acrescido de correções monetárias.
De acordo com a escrivã da 5 Cível, Eneida César Santana, o único comprador do imóvel é de Londrina. Os próximos passos, entretanto, devem ser definidos pelo juiz. ''O resultado do leilão será formalizado e entregue amanhã (hoje) ao juiz, que vai definir, no valor, o que é cabível ao autor, e qual o destino da parte restante'', explicou.
Em maio passado, em ofício à Justiça, os promotores de Defesa do Patrimônio Público, Leila Voltarelli e Renato de Lima Castro, sugeriram que eventual valor excedente ao da ação, obtido com o leilão, fosse depositado em juízo ''em razão da decretação de indisponibilidade dos bens'' de Belinati ''decorrente de diversas ações civis públicas''. Só na área cível, pelo escândalo AMA-Comurb, são mais de 40 processos à espera de julgamento.
A FOLHA tentou contato com o advogado do ex-prefeito que figura nos autos, Antônio Carlos de Andrade Vianna, mas, no escritório dele, a informação era a de que Vianna ''só falará sobre esse assunto no meio da semana''. O motivo, segundo a funcionária que atendeu o telefonema, seria que ''ele vai analisar que recursos devem ser ingressados''.

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